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Ministro Nunes Marques e mulher viajam em jato ligado a ex-sócio do Banco Master pago por advogada do banco

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques e a esposa, Vanessa Ferreira, voaram de Brasília a Maceió em 14 de novembro de 2025 a bordo de um avião executivo operado pela Prime Aviation Táxi Aéreo e Serviços. A aeronave pertence a um grupo empresarial que, até setembro do mesmo ano, tinha como sócio o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do liquidado Banco Master.

A viagem teve como destino a festa de aniversário da advogada Camilla Ewerton Ramos, que atua em processos do Banco Master no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Documentos obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo mostram que Camilla declarou ter arcado pessoalmente com os custos do deslocamento.

Empresa do voo mantém vínculos com entorno de Vorcaro

A Prime Aviation é ligada à Prime You, gestora de bens que recebeu aportes dos fundos Jaguar e Patrimonial Blue, ambos administrados pela Trustee. A gestora pertence a Maurício Quadrado, ex-sócio de Vorcaro no Banco Master. Vorcaro retirou sua participação direta da Prime You em setembro de 2025, transferindo as cotas para um fundo controlado pela mesma Trustee, citada em investigações da Polícia Federal.

Participação de magistrados

De acordo com registros de acesso ao terminal executivo do Aeroporto de Brasília, Nunes Marques, a esposa, Camilla e o marido dela, o desembargador Newton Ramos (TRF-1), embarcaram no mesmo horário. Newton foi juiz auxiliar de Nunes Marques antes da nomeação do ministro ao STF em 2020.

No STJ, Camilla representa o Banco Master em pelo menos três ações relativas à recuperação de créditos do setor sucroalcooleiro, após receber procuração em dezembro de 2024.

Confirmação do gabinete

Procurado, o gabinete de Nunes Marques confirmou a viagem. Em nota, informou que o convite partiu de Camilla, que “ficou responsável pelo voo e detalhes da viagem”, e que outros casais amigos também participaram.

Outras ligações de ministros com o banqueiro

O episódio soma-se a outras menções de integrantes do STF ao redor de Vorcaro. Alexandre de Moraes teve diálogos atribuídos ao banqueiro no dia da prisão dele, além de contrato de R$ 129 milhões firmado pela esposa com o Banco Master. Já Dias Toffoli admitiu ter sido sócio de um resort paranaense que negociou cotas com um fundo ligado a Fabiano Zettel, apontado pela PF como operador financeiro de Vorcaro.

A repercussão levou o presidente do STF, Edson Fachin, a defender a criação de um código de conduta para a Corte. O texto está sob relatoria da ministra Cármen Lúcia.

Até a publicação desta reportagem, a defesa de Vorcaro e a advogada Camilla Ewerton Ramos não haviam comentado o caso.

Com informações de Gazeta do Povo