Washington (EUA) – Testemunhas e especialistas em liberdade religiosa pediram, em 7 de maio, que o governo dos Estados Unidos adote medidas mais duras contra a crescente perseguição a minorias na Índia, entre elas a comunidade cristã. A audiência ocorreu no Capitólio e foi conduzida pela Comissão dos Estados Unidos sobre Liberdade Religiosa Internacional (USCIRF).
Ao abrir a sessão, o vice-presidente da USCIRF, Asif Mahmood, classificou a situação indiana como “abismal”. Segundo ele, templos de minorias sofrem ataques constantes, enquanto líderes religiosos são “rotineiramente presos e libertados” sob acusações de conversões forçadas.
Vicky Hartzler, presidente da comissão, reforçou que a perseguição se dá em todos os níveis — nacional, estadual e local. Ela citou leis anticonversão em vigor em 13 dos 28 estados, normas antiterrorismo aplicadas a minorias e dispositivos de cidadania considerados discriminatórios.
Pedido de classificação CPC
Raqib Naik, fundador do Centro para o Estudo do Ódio Organizado, pediu que o Departamento de Estado designe a Índia como “país de preocupação particular” (CPC, na sigla em inglês), categoria aplicada a nações que violam sistematicamente a liberdade religiosa. “Reconhecer o problema é o primeiro passo”, afirmou. Ele também defendeu sanções e maior vigilância sobre repressões transnacionais, que, segundo ele, representam “ameaça à segurança nacional”.
Ex-embaixador-geral dos EUA para Justiça Criminal Global, Stephen Rapp sugeriu a produção de relatórios detalhados sobre autores de violações para facilitar futuros processos internacionais. “Talvez muitos nunca viajem, mas receberão o recado de que não haverá descanso nesta vida”, declarou.
Condições para negociações
O defensor David Curry recomendou que a defesa da liberdade religiosa seja exigida pelos EUA em todas as negociações com parceiros internacionais. Já a antropóloga indiana Angana Chatterji afirmou que Washington deve “examinar seriamente a impossibilidade de benefício econômico” nas atuais condições do país asiático.
Arjun Sethi, professor de Direito na Universidade Georgetown, lembrou que o primeiro-ministro Narendra Modi chegou a ser impedido de entrar nos EUA entre 2005 e 2014. “Precisamos compreender profundamente quem ele é e o que representa”, disse.
De acordo com dados do Vaticano, a Índia abriga cerca de 23 milhões de católicos, o que corresponde a 1,6% da população. Relatórios da USCIRF indicam aumento de ataques a igrejas, destruição de propriedades e violência de multidões contra cristãos.
A audiência encerrou-se com apelos para que o Departamento de Estado e o Congresso considerem sanções direcionadas e reforcem a pressão diplomática sobre Nova Délhi.
Com informações de Gazeta do Povo