A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) alertou nesta quarta-feira (6) que a maior parte dos presos políticos soltos pela Venezuela segue submetida a rígidas restrições impostas pelo governo de Delcy Rodríguez, o que impede o pleno exercício da liberdade.
O pronunciamento ocorreu durante sessão do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington. Segundo o presidente da CIDH, Edgar Stuardo Ralón Orellana, Caracas sustenta ter concedido anistia a mais de 8 mil pessoas desde fevereiro de 2026, mas organizações civis independentes confirmam apenas 186 libertações sem condicionantes. Outras 554 permanecem sujeitas a medidas cautelares, como apresentação periódica à Justiça e proibição de falar à imprensa.
“Proibição de sair do país, de manifestar-se ou de conceder entrevistas não é liberdade; é liberdade vigiada”, declarou Ralón Orellana.
Detenções em números
Relatório apresentado pela secretária-executiva da CIDH, Tania Reneaum Panszi, indica que, até abril, 454 pessoas continuavam presas por motivos políticos na Venezuela. Entre elas estão 44 mulheres, uma adolescente, 286 civis e 186 militares. O documento também registra 18 mortes de detentos sob custódia do Estado.
Cobrança da OEA
Durante o encontro, o secretário-geral da OEA, Albert Ramdin, exigiu a libertação imediata de todos os presos políticos venezuelanos e pediu que o governo permita a realização de visitas presenciais de observadores da organização. Para Ramdin, manter cidadãos detidos por razões de consciência ou dissidência “representa grave retrocesso ao Estado de direito e impede o retorno à normalidade democrática”.
As denúncias aumentam a pressão internacional sobre o governo de Delcy Rodríguez, que assumiu o comando do país interinamente após a promulgação da lei de anistia em fevereiro.
Com informações de Gazeta do Povo