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Deportações em massa nos EUA provocam fechamento de igrejas e exílio de pastores, dizem líderes cristãos

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Líderes evangélicos e católicos dos Estados Unidos alertaram, em coletiva de imprensa realizada na semana passada, que a política migratória do ex-presidente Donald Trump está afetando diretamente comunidades de fé em todo o país. Segundo os religiosos, a intensificação das deportações tem levado pastores à prisão, provocado autoexílios e forçado o encerramento de templos frequentados por imigrantes.

Relatório aponta maioria cristã entre imigrantes vulneráveis

O apelo dos líderes ocorre um ano após a divulgação do relatório conjunto “Uma Parte do Corpo”, elaborado pela Associação Nacional de Evangélicos (NAE) e outras organizações cristãs, no qual se concluiu que a maior parte dos imigrantes suscetíveis à deportação nos EUA é formada por cristãos. Entre as entidades que assinam o documento estão a agência de reassentamento World Relief, a Conferência dos Bispos Católicos dos EUA e o Centro de Estudos do Cristianismo Global do Seminário Gordon-Conwell.

No mesmo período da coletiva, a Lifeway Research publicou dados indicando que a ampla maioria dos pastores protestantes apoia a imigração legal e o reassentamento de refugiados. Já sobre deportações, as opiniões se mostraram divididas.

“Cristianismo americano está sendo remodelado”

O presidente da NAE, Walter Kim, criticou o que classificou como “recursos sem precedentes” destinados à fiscalização migratória. Ele lembrou que, quando atuava como pastor em Boston, entre 1965 e 2015 o número de igrejas na região dobrou graças, sobretudo, a congregações fundadas por latino-americanos, africanos e asiáticos. Para Kim, as comunidades de imigrantes representam “vitalidade espiritual” e são essenciais no combate ao secularismo crescente em parte do país.

“Muitas dessas congregações estão migrando para cultos virtuais, fechando ou registrando queda acentuada de fiéis por causa do medo”, afirmou. “Essa abordagem política está remodelando o cristianismo americano”, completou.

Casos de detenções e autoexílio

O reverendo Gabriel Salguero, que lidera a Coalizão Evangélica Latina Nacional e pastoreia em Orlando (Flórida), relatou que igrejas recém-plantadas em Minneapolis (Minnesota) foram fechadas após uma grande operação migratória. “Perderam três anos de trabalho missionário”, disse.

Entre os pastores afetados está Yeison Vasquez, detido há quase duas semanas em um centro de Newark (Nova Jérsei). Segundo Salguero, a filha de Vasquez pergunta diariamente quando o pai voltará para casa.

Outro caso citado é o do pastor Wilber Marenco, preso no condado de Brevard (Flórida) e posteriormente liberado com tornozeleira eletrônica. Sem carteira de motorista nem autorização de trabalho, ele abriu uma campanha no GoFundMe enquanto aguarda a análise de seu pedido de asilo religioso, protocolado após receber ameaças por participar de protesto na Nicarágua.

Já o líder religioso Alfredo Salas decidiu deixar Chicago rumo ao México, em junho passado, temendo detenção nos EUA. A situação imigratória se complicou depois que ele precisou retornar ao país de origem em 2004 por uma emergência familiar. Sua esposa, Isabel Estrada, naturalizada norte-americana, segue viajando entre os dois países para visitar a filha que permaneceu nos Estados Unidos.

Quedas de frequência e assistência emergencial

Em Minneapolis, o pastor Victor Martinez, da Igreja Nova Geração, relatou queda de 80% na frequência desde o ano passado. “Pensamos em fechar; tornou-se traumático cuidar dos fiéis”, declarou. Segundo ele, muitos prédios religiosos foram transformados em pontos de distribuição de alimentos, funcionando como “centros de refugiados improvisados”.

Em janeiro, outro grupo de líderes hispânicos, liderado pelo pastor Samuel Rodriguez, já havia promovido evento semelhante alertando para os riscos que as operações de imigração representam às igrejas.

Para as organizações participantes da coletiva, o governo norte-americano precisa rever a estratégia de deportações para evitar o esvaziamento de templos, a interrupção de serviços comunitários e o enfraquecimento da própria expressão religiosa no país.

Com informações de Folha Gospel