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Estrada financiada pelo petróleo na Guiana deve reduzir em até oito dias o frete de grãos do Norte do Brasil

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A pavimentação da rodovia que liga Georgetown, capital da Guiana, a Lethem, na fronteira com Roraima, avança em ritmo acelerado graças aos recursos obtidos com as recentes descobertas de petróleo no país. A obra, considerada histórica, pode diminuir em até oito dias o tempo de escoamento de soja e milho produzidos no Norte do Brasil até o Canal do Panamá.

Petrodólares viabilizam infraestrutura

Desde 2015, a Guiana identificou reservas gigantescas de petróleo em seu litoral. Os royalties gerados permitiram a criação de um fundo soberano voltado para projetos de infraestrutura, entre eles a rodovia Georgetown-Lethem. O investimento impulsionou o país de uma economia de baixo rendimento para uma das que mais crescem no mundo.

Impacto para produtores brasileiros

Hoje, as cargas de Roraima precisam descer rios amazônicos em balsas até Manaus ou Belém, trajeto caro e demorado. Com o asfalto concluído, os caminhões poderão seguir direto do estado brasileiro ao litoral guianense, alcançando o Atlântico e, em seguida, o Canal do Panamá em aproximadamente 4,5 dias — metade do tempo atual.

Andamento das obras

Cerca de um terço do percurso entre Lethem e Georgetown já recebeu pavimento. Um trecho de 120 quilômetros está sendo finalizado por uma construtora brasileira, enquanto outros lotes permanecem em licitação internacional. Ainda faltam 450 quilômetros de estrada de terra, que se tornam quase intransitáveis durante o período chuvoso.

Necessidade de acordo binacional

Apesar do progresso, a livre circulação de caminhões depende de um tratado entre os dois países. Atualmente, o transbordo de mercadorias é obrigatório na fronteira porque veículos guianenses não podem rodar no Brasil e vice-versa. Brasília e Georgetown discutem um acordo para permitir o tráfego direto, o que deve reduzir custos adicionais.

Comércio em rápida expansão

O fluxo comercial entre Roraima e a Guiana cresceu de US$ 600 mil em 2019 para US$ 50 milhões anuais. Além de alimentos, o Brasil exporta materiais de construção, máquinas e equipamentos que sustentam o intenso canteiro de obras guianense.

O governo guianense mantém a meta de concluir a pavimentação nos próximos anos, transformando a logística da Amazônia brasileira e abrindo um novo corredor de exportação para o Atlântico.

Com informações de Gazeta do Povo