Brasília — 08/04/2026, 10h28. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que setores da “ultradireita” pretendem “colocar fim na democracia” durante as eleições presidenciais deste ano, repetindo, segundo ele, a tentativa de ruptura registrada em 8 de janeiro de 2023.
Em entrevista ao portal ICL Notícias nesta quarta-feira (8), Lula comparou a disputa de 2026 ao pleito de 2022. “As eleições serão novamente para defender a democracia. Teremos que explicar para a sociedade, de novo, o significado da democracia”, declarou, citando supostos planos de fechamento da Suprema Corte, questionamentos às urnas eletrônicas e ataques a instituições.
Reeleição “para impedir retorno dos fascistas”
Candidato à recondução, o petista justificou a busca por um quarto mandato: “É importante dar um salto de qualidade para discutir as causas dos problemas brasileiros. Minha candidatura é necessária para que a gente não permita que os fascistas voltem a governar o país”.
Lula alegou ter encontrado o Brasil em “terra arrasada” após a gestão de Jair Bolsonaro (PL) e disse que passou dois anos reconstruindo políticas públicas. Para 2026, definiu o período como “ano da colheita”.
Críticas a orçamento e penduricalhos
Ao comentar a relação com o Congresso, o presidente reclamou que “60% do orçamento vai para deputado e senador”, numa referência às emendas parlamentares conhecidas como “orçamento secreto”. Também criticou benefícios extras pagos pelo Judiciário, classificados por ele como “penduricalhos” acima do teto constitucional. “É preciso acabar com a promiscuidade política deste país”, resumiu.
Alvo em Flávio Bolsonaro e receio de venda das “terras raras”
Lula acusou seu principal adversário na corrida presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), de planejar a venda de reservas de terras raras a empresas norte-americanas. “É como entregar nosso petróleo”, comparou, citando ainda um acordo firmado pelo governador Ronaldo Caiado (PSD-GO) com companhias dos Estados Unidos.
Recado a Trump e a líderes estrangeiros
O presidente voltou a criticar Donald Trump, a quem chamou de “cidadão que se acha imperador” e “governa pelas redes sociais”. Lula advertiu que nenhum país pode questionar o sistema eleitoral brasileiro: “Nem Trump, nem Emmanuel Macron, nem Xi Jinping têm esse direito. Se o fizerem, diremos que é mentira e haverá enfrentamento político desnecessário”.
As declarações ocorrem em meio a negociações para uma visita oficial de Estado de Lula a Washington, adiada após a ofensiva militar liderada pelos EUA e Israel contra o Irã.
Com informações de Gazeta do Povo