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Conteúdo de oito celulares orienta delação premiada de Daniel Vorcaro

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Brasília – A possível delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso na Operação Compliance Zero, deve se apoiar quase integralmente nos dados extraídos de oito celulares apreendidos pela Polícia Federal. Peritos identificaram cerca de 8 mil vídeos, milhares de documentos e trocas de mensagens com autoridades dos três Poderes.

Três desses aparelhos foram recolhidos na etapa mais recente da investigação, em março de 2026. Segundo fontes próximas ao caso, o acesso às senhas — até então negado por Vorcaro — será fornecido no acordo, transformando os telefones no eixo central da colaboração.

Defesa monta estratégia alinhada ao material periciado

Advogados do empresário usam o conteúdo já periciado para estruturar a proposta de delação, a fim de evitar contradições e aumentar a credibilidade das informações. A expectativa é apresentar provas complementares que corroborem o que está nos dispositivos.

O volume de dados, considerado um dos maiores já analisados pela PF, obriga uma triagem minuciosa para separar arquivos irrelevantes de possíveis evidências, sem comprometer a cadeia de custódia. Conversas pessoais — como diálogos com a ex-noiva Martha Graef — são tratadas com cautela para evitar vazamentos.

Colaboração ampla e riscos políticos

Nos bastidores, a defesa defende uma delação “sem omissões” para ampliar benefícios, como redução de pena. A proposta, contudo, gera receio no Supremo Tribunal Federal, já que o depoimento pode citar autoridades com foro privilegiado, inclusive magistrados da Corte. O acordo só avançará com aval da Procuradoria-Geral da República (PGR) e homologação do STF.

Calendário e próximos passos

Documentos e anexos estão sendo organizados em pelo menos cinco blocos, com previsão de entrega dentro de dois meses. A partir daí, começam os depoimentos formais. Investigadores admitem que, mesmo com esforço concentrado, o processo deve atravessar todo o ano eleitoral.

Vorcaro, transferido para a Superintendência da PF em Brasília — na cela antes ocupada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro —, assinou termo de confidencialidade e recebe visitas diárias dos advogados. Um resumo inicial da colaboração deve ser entregue até meados de abril.

Se a delação for considerada robusta, a defesa pedirá a substituição da prisão por medidas como domiciliar ou monitoramento eletrônico. Qualquer benefício, entretanto, dependerá da confirmação da veracidade das provas apresentadas.

Com informações de Gazeta do Povo