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Operação Sem Desconto expõe Rede Arpar, “banco clandestino” que lavou R$ 39 bilhões para crime e políticos

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Brasília – Investigações da Polícia Federal (PF) e da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS desmontaram a Rede Arpar, estrutura classificada pelos investigadores como um “banco clandestino” que ocultou recursos de fraudes previdenciárias, tráfico de drogas, armas e corrupção política. A movimentação financeira confirmada chega a R$ 39 bilhões, valor que pode ultrapassar R$ 45 bilhões à medida que novas empresas ligadas ao grupo são analisadas.

Como funcionava o esquema

Formada por aproximadamente 40 empresas de fachada registradas em nome de laranjas, a Rede Arpar operava em três etapas clássicas de lavagem de dinheiro:

1. Colocação – valores provenientes de crimes eram depositados nas contas das companhias do grupo;

2. Ocultação – o dinheiro circulava entre dezenas de CNPJs, era convertido em criptomoedas e transitava por fintechs para dificultar o rastreamento;

3. Integração – os recursos retornavam à economia formal por meio de contratos falsos de consultoria, operações simuladas de exportação e importação ou outros negócios aparentemente legítimos.

Evasão de divisas

Para enviar valores ao exterior, o grupo se valia de brechas no comércio internacional. Importações eram superfaturadas e exportações, subfaturadas. A diferença gerada nessas transações era transferida para contas em paraísos fiscais, as chamadas offshores, reduzindo a possibilidade de rastreamento pelos órgãos de controle brasileiros.

Envolvimento político e medidas judiciais

Relatório parcial da CPMI do INSS aponta a existência de um braço político que sustentava o esquema. Empresas de fachada formalizavam contratos fictícios para justificar o pagamento de propina a gestores e autoridades. Até o momento, a Justiça bloqueou R$ 2,8 bilhões em bens de investigados e afastou integrantes da cúpula de órgãos federais. A identificação completa dos beneficiários políticos segue em curso.

Operação Sem Desconto

Desde abril do ano passado, a PF deflagrou pelo menos seis fases da Operação Sem Desconto, focada nas fraudes ao INSS que alimentavam a Rede Arpar. As apurações estimam que o grupo tenha lavado, em média, R$ 400 milhões por mês ao longo de vários anos.

As investigações continuam para mapear todas as empresas envolvidas, rastrear o fluxo de recursos no exterior e responsabilizar os agentes públicos que, segundo os investigadores, deram respaldo às operações do “banco clandestino”.

Com informações de Gazeta do Povo

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