Brasília – Encerrada na sexta-feira (3), a janela partidária provocou 120 trocas de filiação entre os 513 deputados federais e alterou o equilíbrio de forças no Congresso Nacional às vésperas da eleição de 2026.
PL atinge 100 deputados e amplia liderança
Maior vencedor do troca-troca, o PL voltou a somar 100 cadeiras na Câmara, recuperando perdas sofridas desde 2022 e ganhando fôlego para negociar alianças nas disputas pela Presidência da República e pelo Senado.
União Brasil perde espaço; PT mantém vice-liderança
O União Brasil registrou a maior sangria: 28 baixas e 21 entradas, terminando com 51 parlamentares e mantendo o terceiro lugar na Casa. O PT compensou saídas com novas adesões e preservou a segunda posição, com 67 deputados, apesar da ruptura de Luizianne Lins (CE).
Podemos cresce; demais legendas se estabilizam
O Podemos apresentou o maior salto proporcional, subindo de 15 para 27 deputados após 13 filiações. PSD, PP e Republicanos mantiveram números próximos aos anteriores, enquanto PDT encolheu e PSDB obteve leve saldo positivo.
Senado também registra migrações
Sem restrição de janela para cargos majoritários, o Senado viu o PSD perder três integrantes: Rodrigo Pacheco (rumo ao PSB), Eliziane Gama (PT) e Angelo Coronel (Republicanos). A sigla recebeu o senador Carlos Viana (MG), ex-Podemos.
O PL ganhou Sergio Moro (PR) e Efraim Filho (PB), ex-União Brasil, mas perdeu Eudócia Caldas (AL) para o PSDB.
Governadores deixam cargos para disputar novas funções
O prazo de desincompatibilização, encerrado no sábado (4), levou 11 governadores a renunciar, em sua maioria para buscar vaga no Senado. Entre eles estão Gladson Cameli (PP-AC), Wilson Lima (União-AM), Ibaneis Rocha (MDB-DF), Renato Casagrande (PSB-ES), Mauro Mendes (União-MT), Helder Barbalho (MDB-PA), João Azevêdo (PSB-PB) e Antonio Denarium (PP-RR). O ex-governador fluminense Cláudio Castro (PL) também deixou o cargo e pretende concorrer sob judice após condenação à inelegibilidade até 2030.
Ronaldo Caiado (PSD-GO) e Romeu Zema (Novo-MG) abandonaram os mandatos para entrar na corrida presidencial. Outros nove chefes de Executivo buscam a reeleição e permanecem no posto, caso de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Jorginho Mello (PL-SC). Sete governadores decidiram concluir o segundo mandato sem disputar novo cargo.
Ministros e figuras de peso reforçam clima eleitoral
No governo federal, 16 ministros se afastaram para entrar na disputa. Entre eles, Marina Silva (Meio Ambiente) e Simone Tebet (Planejamento) lançaram pré-candidaturas ao Senado por São Paulo. No xadrez partidário, Kátia Abreu trocou o PP pelo PT com o objetivo de concorrer ao governo do Tocantins, enquanto Cabo Daciolo se filiou ao Mobiliza para disputar a Presidência.
As mudanças confirmam que a disputa de 2026 já mobiliza lideranças em busca de espaço no Congresso, recursos públicos e influência política.
Com informações de Gazeta do Povo