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Trump impõe 48 h ao Irã para liberar Estreito de Ormuz e promete resposta “devastadora”

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Washington — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu nesta sexta-feira (4) um prazo de 48 horas para que o Irã volte a permitir a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz, rota responsável por 21% do petróleo comercializado no planeta. Caso Teerã recuse a exigência, o republicano ameaça lançar uma ofensiva militar “de consequências devastadoras”, segundo pronunciamento feito à nação.

É o terceiro ultimato emitido por Washington em menos de um mês. Os dois anteriores, apresentados em março, foram prorrogados sem acordo. Desta vez, porém, a Casa Branca avalia que a tensão no mercado de energia e a desaprovação interna à guerra tornam imprescindível uma solução rápida.

Infraestrutura sob mira

Trump indicou que eventuais ataques mirariam instalações críticas da economia iraniana. Entre os alvos mencionados estão a Ilha de Kharg — principal terminal de exportação de petróleo do país —, usinas de dessalinização, plantas de energia e complexos nucleares.

Na quinta-feira (3), um projétil atingiu o perímetro da usina nuclear de Bushehr, danificando um prédio de apoio. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) informou não haver aumento nos níveis de radiação, mas o incidente acendeu alertas sobre riscos nucleares em zona de combate. Explosões também foram registradas na Zona Petroquímica Especial de Mahshahr, centro vital da produção de petróleo iraniana.

Perdas aéreas americanas aumentam

No mesmo dia, um caça F-15E Strike Eagle norte-americano foi abatido dentro do território iraniano. Um dos dois tripulantes foi resgatado; o outro continua desaparecido. O episódio eleva para quatro o número de F-15E perdidos desde o início do conflito, além da queda de um A-10 Warthog próximo ao estreito. Mesmo após cerca de 12 mil missões de combate em cinco semanas, o Pentágono reconhece aumento nos custos humano e material.

Autoridades do Irã confirmaram a derrubada do F-15E e do A-10, alegando que as defesas aéreas móveis continuam operacionais apesar dos bombardeios dos EUA. Para analistas, a exibição de um piloto capturado na televisão iraniana daria a Teerã importante vantagem de propaganda e colocaria pressão adicional sobre Trump.

Retórica de resistência

O ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, declarou que Teerã aceita negociar apenas sob “condições claras para um fim definitivo da guerra considerada ilegal”. A Guarda Revolucionária afirma manter intacta a capacidade de mísseis e drones.

A situação preocupa aliados dos EUA no Golfo — Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar — e é acompanhada de perto por Israel, que continua a bombardear alvos iranianos e do Hezbollah no Líbano. Em resposta, Teerã intensifica disparos de mísseis contra território israelense, alimentando um ciclo de ação e reação.

Divergências internacionais

Enquanto Trump repete a ameaça de “retaliação maciça”, líderes europeus buscam mediação. A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, fez visita não anunciada ao Catar e à Arábia Saudita — a primeira de um chefe de governo da Otan à região desde o início da guerra. O Paquistão tenta intermediar contatos, mas com alcance limitado.

Pequim pediu cessar-fogo imediato e responsabilizou EUA e Israel pela interrupção do tráfego comercial no Estreito de Ormuz. Moscou vê na crise oportunidade para ampliar sua presença no Oriente Médio e fortalecer laços com Teerã.

Com o prazo de 48 horas já em contagem regressiva, diplomatas temem que qualquer novo incidente — como a apresentação de um militar americano capturado ou maior dano a instalações petrolíferas — possa disparar a ofensiva prometida por Trump e levar a região a uma escalada ainda mais difícil de conter.

Com informações de Gazeta do Povo