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Relatório aponta que Rússia treinou mais de mil comunicadores para difundir desinformação na América Latina

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Um relatório divulgado nesta terça-feira, 31 de março de 2026, pela Digital News Association (DNA) indica que o governo da Rússia capacitou mais de 1.000 criadores de conteúdo, jornalistas e influenciadores para operar redes de desinformação em países da América Latina.

De acordo com o jornalista investigativo Jeffrey Scott Shapiro, coordenador do Alerta de Propaganda Russa da entidade, os treinamentos foram conduzidos pelo canal estatal RT en Español. Os participantes atuam na Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Cuba, México, Nicarágua e Venezuela.

O relatório acrescenta que cerca de 200 criadores de conteúdo hispânicos estariam baseados diretamente na Rússia, produzindo e distribuindo materiais voltados ao público latino-americano.

A investigação detalha o alcance das páginas ligadas ao Kremlin: perfis associados à RT en Español e à Rádio Sputnik somam mais de 18 milhões de seguidores no Facebook e 6 milhões no YouTube. Os pesquisadores também identificaram 16 sites considerados falsos, criados para simular veículos de imprensa tradicionais e ampliar a circulação das narrativas.

Para mapear a rede, a DNA utilizou ferramentas de inteligência artificial capazes de monitorar conteúdos em espanhol com características de mídia patrocinada pelo Estado russo. Especialistas ouvidos pela entidade afirmam que a estratégia adapta as mensagens ao cenário político de cada país. “Eles se ajustam à ideologia dos governos para semear divisões”, disse Gelet Martínez, fundadora dos portais ADN Cuba e ADN América.

Segundo Martínez, o objetivo principal é promover a polarização, alimentar a desconfiança nas instituições e fragmentar as sociedades latino-americanas.

Com informações de Gazeta do Povo