O novo presidente do Chile, José Antonio Kast, no cargo desde 11 de março, deu os primeiros passos para cumprir duas promessas centrais de campanha: reforçar a fronteira norte contra a imigração ilegal e promover um amplo pacote de reformas econômicas de inspiração liberal.
Plano Escudo Fronteiriço empareda o norte do país
Em 16 de março, Kast esteve em Arica, próximo ao limite com o Peru, para lançar o Plano Escudo Fronteiriço. O projeto prevê a instalação de muros e cercas de segurança com 5 metros de altura e trincheiras de 3 metros de profundidade em áreas de maior fluxo migratório, com o objetivo de bloquear a passagem de veículos e caravanas.
Segundo o ministro do Interior, Claudio Alvarado, cerca de 500 km dos aproximadamente 1.000 km da fronteira com Peru e Bolívia são considerados “porosos” e poderão receber barreiras físicas. O plano inclui ainda patrulhas permanentes das Forças Armadas e dos Carabineros, torres de vigilância, radares térmicos e drones autônomos equipados com câmeras de reconhecimento facial e infravermelho.
Idealizador da iniciativa, o senador e general da reserva Cristián Vial afirmou que a tecnologia empregada “libera recursos humanos, que são os mais escassos”.
Projeto de Reconstrução Nacional mira ambiente pró-negócios
No campo econômico, o ministro da Fazenda, Jorge Quiroz, encaminhou ao Congresso o Projeto de Reconstrução Nacional. Entre as principais propostas estão:
- redução de entraves burocráticos para acelerar investimentos privados;
- corte da alíquota do imposto para médias e grandes empresas de 27% para 23%, em linha com a média da OCDE;
- subsídio macroeconômico, sem barreiras de acesso, para ajudar empregadores no pagamento das contribuições previdenciárias;
- isenção de Imposto sobre Valor Agregado (IVA) em imóveis residenciais por 12 meses;
- isenção de tributos na compra da primeira moradia por idosos.
O governo espera que parte dos investimentos privados seja retomada antes mesmo da redução integral dos tributos, amparada na “recuperação da confiança” e no respeito ao marco legal, informou o Ministério da Fazenda.
Corte de gastos de US$ 6 bilhões ao ano
Kast também planeja reduzir despesas públicas em US$ 6 bilhões anuais, sem extinguir benefícios sociais. Metade viria de ajustes no Executivo e metade de mudanças legislativas. Ele divide a economia prevista em três eixos: combate à corrupção, aumento da eficiência administrativa e austeridade fiscal, com expectativa de poupar cerca de US$ 1 bilhão em cada área.
Déficit elevado desafia metas de equilíbrio
Relatório divulgado este mês pela agência de classificação de risco Fitch apontou que o Chile encerrou 2025 com déficit fiscal estrutural de 3,6% do PIB e déficit nominal de 2,8% do PIB. Para a agência, o cenário de contas públicas pressionadas, aliado à alta nos preços do petróleo, tende a dificultar a rápida consolidação fiscal pretendida pelo novo governo.
Com informações de Gazeta do Povo