O Palácio do Planalto e os governadores travam, desde 27 de março de 2026, um embate sobre quem deve arcar com a conta para conter a alta do diesel. Com pesquisas eleitorais apontando empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro, o Ministério da Fazenda apresentou proposta que prevê desconto direto de R$ 1,20 por litro do combustível importado, valor a ser bancado meio a meio por União e estados.
Como funciona a proposta
Pelo modelo sugerido, a União subsidiaria R$ 0,60 por litro e os governos estaduais pagariam outros R$ 0,60. O mecanismo dispensaria mudanças na legislação do ICMS, tributo estadual que incide sobre combustíveis, permitindo aplicação imediata do desconto nas distribuidoras.
Reação dos governadores
Líderes estaduais, entre eles Ronaldo Caiado (GO) e Mauro Mendes (MT), rejeitam a ideia. Eles afirmam que o Planalto quer repassar aos estados o “ônus político” de liberar recursos públicos para um subsídio considerado temporário, enquanto o governo federal buscaria capitalizar eventual queda no preço nas bombas. Os governadores também alertam para o impacto nas finanças locais.
Pressão das eleições de 2026
A escalada dos preços dos combustíveis é vista pelo governo como potencial “bomba eleitoral”. A elevação do diesel encarece o frete, impacta o valor dos alimentos e pressiona a inflação, fatores capazes de influenciar o humor do eleitorado a poucos meses da campanha presidencial.
Ecos de 2022
A estratégia atual repete iniciativas adotadas pelo então presidente Jair Bolsonaro na eleição anterior, como zerar PIS/Cofins e pressionar por cortes no ICMS. À época, o PT classificou as medidas de “eleitoreiras”. Agora, diante de tensões no Oriente Médio e do aumento do petróleo, o governo Lula recorre a instrumentos semelhantes para tentar segurar os preços.
Impostos no centro da discussão
O PIS/Cofins, tributo federal, já foi zerado pelo governo. Mesmo assim, o Planalto alega que a redução não chegou integralmente ao consumidor devido a suposto “cartel dos postos” e à manutenção das alíquotas estaduais de ICMS. Críticos do Executivo argumentam que subsídios pontuais não substituem reformas estruturais na política de preços da Petrobras.
Sem acordo definido, a negociação entre Brasília e os estados segue travada, enquanto consumidores aguardam alívio no valor do diesel.
Com informações de Gazeta do Povo