Brasília – Parlamentares aliados ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protocolaram na noite desta sexta-feira (27) um relatório paralelo da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, sugerindo o indiciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O documento atribui a Jair Bolsonaro suspeitas de furto qualificado contra idosos, participação em organização criminosa e improbidade administrativa. Já Flávio Bolsonaro é apontado como possível integrante da mesma organização.
Assinado pelo deputado Paulo Pimenta (PT-RS) e outros integrantes da base governista, o texto recomenda o indiciamento de 130 pessoas e o aprofundamento das apurações sobre outras 71 — 62 físicas e 9 jurídicas. Pimenta nega motivação eleitoral: “As condutas foram individualizadas a partir de provas”.
Em nota, Flávio Bolsonaro classificou o parecer como “tentativa desesperada de desviar a atenção” e declarou que Lula e seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, teriam “responsabilidade direta” nas fraudes investigadas. O senador é pré-candidato à Presidência da República.
A comissão deve votar ainda hoje o relatório principal, elaborado pelo deputado Alfredo Gaspar (União-AL), que sugere o indiciamento de mais de 200 pessoas, entre elas Fábio Luís Lula da Silva, o ex-ministro da Previdência Carlos Lupi e o senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo no Senado.
O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), indicou que o parecer alternativo dificilmente será apreciado. O colegiado tem prazo final de funcionamento até sábado (28).
No texto, os governistas argumentam que, “por ação ou omissão”, Jair Bolsonaro teria favorecido um esquema que apropriou recursos de aposentados e pensionistas. O relatório também menciona encontros frequentes de integrantes do governo anterior com o empresário Daniel Bueno Vorcaro.
Se aprovado, o relatório de Gaspar e qualquer voto em separado serão encaminhados a órgãos de investigação, como Ministério Público, Polícia Federal e Tribunal de Contas da União.
Com informações de Gazeta do Povo