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Relatório da CPMI do INSS aponta cobertura de altos escalões e pede indiciamento de 218 pessoas

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Brasília — A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigou irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) aprovou nesta sexta-feira (27/03/2026) pedido de indiciamento de 218 pessoas por participação em esquema de desvio de recursos de aposentados.

Entre os nomes listados no relatório de 4,3 mil páginas entregue pelo relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), estão o ex-ministro da Previdência Social Carlos Lupi, o senador Weverton Rocha (PDT-MA), o deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) e o deputado estadual Edson Cunha de Araújo (PSB-MA).

“Assalto a aposentados”

Durante a leitura do parecer, Gaspar afirmou que “altos escalões encobriam o assalto a aposentados”, citando a atuação de parlamentares, ministros de Estado, presidentes do INSS e diretores do órgão. Segundo o deputado, planilhas apreendidas pela Polícia Federal registram o pagamento de propinas a esses dirigentes.

O esquema, de acordo com a CPMI, envolvia a cobrança indevida de mensalidades e a movimentação de quase R$ 40 bilhões por meio de fintechs e empresas de fachada ao longo de vários anos. Operadores financeiros, servidores públicos e dirigentes de entidades teriam negociado percentuais sobre os valores desviados enquanto formalizavam atos administrativos “com aparência de plena regularidade”.

Exclusão de presidentes e disputa no STF

Conforme já havia sido antecipado, o relator não incluiu os ex-presidentes Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na lista de responsabilizados. O parecer começou a ser lido após o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitar, por 8 votos a 2, pedido de prorrogação dos trabalhos da comissão. A decisão cassou liminar concedida pelo ministro André Mendonça que estenderia os trabalhos por mais 60 dias.

Próximos passos

A leitura do documento pode continuar ao longo do dia e, se necessário, em sessão extra marcada para sábado (28). Após a conclusão, o relatório segue para votação dos integrantes da CPMI e, em caso de aprovação, será encaminhado ao Ministério Público e demais órgãos competentes para análise dos indiciamentos recomendados.

Mais informações serão divulgadas conforme a comissão finalize a leitura e votação do texto.

Com informações de Gazeta do Povo