O Supremo Tribunal Federal (STF) solicitou explicações formais à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS sobre o pedido de identificação dos usuários de um número de telefone associado à Corte que teria recebido mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro em 17 de novembro de 2025, data da primeira prisão do empresário durante a operação Compliance Zero, que culminou na liquidação do Banco Master.
Em ofício assinado pela Diretoria-Geral, o STF afirmou que precisa de “melhor delimitação de finalidade e alcance” para avaliar a solicitação. Caso o pedido ultrapasse a competência administrativa do setor, a análise será remetida à Presidência do tribunal. A CPMI havia fixado prazo de dois dias úteis para o envio das informações, que expirou sem resposta.
A requisição partiu do senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da comissão, que pediu o histórico de usuários do número nos últimos cinco anos. Viana chegou a sugerir que a linha pertenceria ao ministro Alexandre de Moraes, versão posteriormente recuada para a afirmação de que o telefone “pertence ao Supremo”. Moraes nega qualquer contato com Vorcaro.
Reportagem do jornal O Globo indicou que, no dia da prisão, Vorcaro teria buscado Moraes para relatar negociações de venda do Banco Master a investidores árabes. Apesar da publicação, o ministro refutou ter mantido diálogo com o banqueiro.
Paralelamente, o plenário do STF analisa nesta quinta-feira (26) a decisão monocrática do ministro André Mendonça que prorrogou os trabalhos da CPMI por 120 dias. Ainda hoje, encerra-se o prazo dado por Mendonça para que o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP), leia em sessão conjunta o requerimento de extensão da comissão.
Na reunião matinal desta quinta, sem comentar o julgamento, Viana destacou que a investigação continua focada no envolvimento do Banco Master em fraudes contra aposentados e pensionistas. Os parlamentares aprovaram a convocação do presidente da Associação Nacional de Correspondentes Bancários (ANEC), Lourival Rocha Junior, e a quebra de sigilos de Fábio Gomes Paixão, ligado à Confederação Nacional dos Agricultores Familiares (Conafer).
Com informações de Gazeta do Povo