Na segunda-feira, 23 de março de 2026, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse a jornalistas que Washington mantém conversas com uma “figura importante” do regime iraniano para tentar encerrar a guerra, mas descartou tratar-se de Mojtaba Khamenei, filho do líder supremo do Irã.
Embora a Casa Branca não tenha revelado nomes, o site Politico noticiou que o escolhido em avaliação é Mohammad Bagher Ghalibaf, 64 anos, atual presidente do Parlamento iraniano. A estratégia, segundo a publicação, seria que Ghalibaf exercesse papel semelhante ao ocupado por Delcy Rodríguez na Venezuela após a captura de Nicolás Maduro em janeiro: uma liderança interina menos radical, disposta a dialogar com Washington sem provocar ruptura abrupta em Teerã.
Carreira militar e política
Veterano da Guerra Irã-Iraque (1980-1988), Ghalibaf integrou a Guarda Revolucionária Islâmica, comandou a Força Aérea da corporação entre 1997 e 2000 e chefiou as Forças Policiais do país. Foi ainda prefeito de Teerã de 2005 a 2017 e hoje leciona na Universidade de Teerã.
Desde 2020 ocupa a presidência do Parlamento. Concorrente em três eleições presidenciais, ficou em terceiro lugar na disputa mais recente, em 2024, com 14% dos votos.
Influência e pragmatismo relativo
Analistas veem Ghalibaf como figura influente em diversos núcleos de poder iranianos e menos ideológica que outros nomes do regime. “Ele é quem manda em tudo; para ele, os fins justificam os meios”, afirmou Hamidreza Azizi, pesquisador do Instituto Alemão para Assuntos Internacionais e de Segurança, à CNN Internacional.
Histórico de repressão
Apesar da imagem de pragmático, o parlamentar possui passagens polêmicas. Ele apoiou a repressão aos protestos de dezembro passado e janeiro deste ano e, em áudio de 2013, vangloriou-se de ter agredido manifestantes quando atuava na Guarda Revolucionária. “Há fotos minhas na garupa de uma moto, batendo neles com paus de madeira, e tenho orgulho disso”, declarou na gravação.
Outra demonstração de alinhamento com alas duras do regime ocorreu em 2024, quando Ghalibaf compareceu ao funeral de Hassan Nasrallah e Hashem Safieddine, líderes do Hezbollah mortos em ataques israelenses em Beirute.
Negações públicas
Também na segunda-feira (23), o político desmentiu as declarações de Trump sobre avanços nas negociações. “Não houve negociações com os EUA, e fake news são usadas para manipular os mercados financeiros e de petróleo e escapar do atoleiro em que EUA e Israel estão presos”, publicou em sua conta na rede X.
Os próximos movimentos diplomáticos indicarão se Ghalibaf assumirá, de fato, o papel de interlocutor preferencial de Washington em Teerã.
Com informações de Gazeta do Povo