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Resistência no Senado adia indicação de Jorge Messias ao STF e expõe fragilidades do Planalto

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Mais de três meses após ser anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF), o advogado-geral da União, Jorge Messias, continua sem ter sua indicação formalizada junto ao Senado. A demora, a mais longa entre as três escolhas feitas por Lula no terceiro mandato, evidencia a dificuldade do governo para reunir os 41 votos necessários à aprovação em plenário.

Falta de apoio trava envio da mensagem

Levantamento do Poder360 aponta que apenas 25 senadores declararam apoio a Messias – 16 a menos que o mínimo exigido. Na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o cenário também é apertado: o indicado soma 10 dos 14 votos requeridos, enquanto sete parlamentares se dizem contrários e outros dez não definiram posição.

Alcolumbre no centro das negociações

O impasse se aprofunda com o desgaste entre o Planalto e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), responsável por marcar a sabatina. Aliados do senador relatam que a escolha contrariou a preferência dele pelo ex-presidente da Casa Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Uma audiência chegou a ser cogitada para dezembro, mas foi cancelada por falta do envio formal da indicação.

Eleições e sessões híbridas dificultam votação

Senadores ouvidos pela reportagem admitem que o ano eleitoral reduz o ímpeto para tratar de temas polêmicos. O foco nas articulações municipais e o regime semipresencial de votações, adotado desde fevereiro, reforçam a tendência de empurrar a análise para depois de outubro.

Para o cientista político Magno Karl, diretor-executivo do Livres, o ambiente fragmentado amplia o custo político: “A oposição quer constranger o governo e, mesmo entre governistas, há espaço para barganhas”, afirma. Segundo ele, sem maioria sólida, o Planalto fica dependente de Alcolumbre, que controla a pauta e pode impor “veto informal” aos prazos.

Plano do governo

No Palácio do Planalto, auxiliares dizem que Lula não cogita retirar o nome de Messias. O presidente já discutiu o tema com o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e com o presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), em almoço realizado em 18 de março. A avaliação é de que somente uma negociação direta de Lula com Alcolumbre pode destravar o processo.

Enquanto isso, a experiência recente do Senado reforça o clima de cautela. Na recondução do procurador-geral da República, Paulo Gonet, o apoio caiu de 65 votos em 2023 para 45 em 2025, sinalizando maior resistência a indicações do Executivo.

A indicação de Jorge Messias continuará em compasso de espera até que o Planalto oficialmente a encaminhe ao Senado e assegure os votos necessários para a aprovação.

Com informações de Gazeta do Povo