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Maduro alega não ter recursos para pagar defesa nos EUA, mesmo sob suspeita de fortuna bilionária

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O ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, informaram a um tribunal federal de Nova York que não dispõem de recursos para arcar com a própria defesa no processo em que respondem por narcotráfico e outros crimes.

Em documento protocolado na quinta-feira (19 mar 2026), os advogados Barry Pollack e Mark E. Donelly solicitaram ao juiz Alvin Hellerstein a anulação das acusações ou, alternativamente, a realização de uma audiência para discutir o tema. A defesa sustenta que a Procuradoria dos EUA reconhece o direito do casal de pedir que o governo da Venezuela custeie os honorários.

Maduro e Flores anexaram declarações juramentadas afirmando não ter condições de pagar os serviços e se mostraram dispostos a apresentar comprovantes financeiros caso o magistrado exija. A próxima audiência está marcada para 26 de março.

Sanções travam pagamento

O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) não autorizou que Caracas desembolse valores para a defesa, alegando sanções impostas desde 2015. Segundo os advogados, a medida viola a Sexta Emenda da Constituição dos EUA, que garante a escolha de defensor, e a Quinta Emenda, relativa ao devido processo legal.

A defesa argumenta ainda que, em processos anteriores, a OFAC permitiu que terceiros sancionados quitassem honorários de acusados também atingidos pelas restrições.

Acusações e histórico do caso

Maduro e Flores foram capturados por militares norte-americanos em Caracas em 3 de janeiro e, dois dias depois, apresentaram-se à primeira audiência em Nova York, declarando-se inocentes. Eles respondem por narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos.

Apesar da alegação de falta de recursos, a ONG Transparência Venezuela estimou em agosto de 2025 que o ex-chefe de Estado possuía pelo menos 745 bens distribuídos por 20 países, avaliados em cerca de US$ 3,8 bilhões. Parte desse patrimônio está bloqueada: os EUA já anunciaram a apreensão de aproximadamente US$ 700 milhões, e a Suíça congelou ativos por até quatro anos.

Para os advogados, a impossibilidade de escolher livremente a equipe jurídica torna o processo “inconstitucionalmente defeituoso”, razão pela qual pedem o arquivamento imediato.

Com informações de Gazeta do Povo