Home / Economia / Guerra no Irã sacode a economia brasileira: veja quem ganha e quem perde

Guerra no Irã sacode a economia brasileira: veja quem ganha e quem perde

ocrente 1772921965
Spread the love

Brasília, 7 de março de 2026 – A ofensiva lançada em 28 de fevereiro por Estados Unidos e Israel contra o Irã provocou um choque imediato nos mercados internacionais, refletindo-se em toda a cadeia produtiva brasileira. O barril do Brent subiu 22,9%, o dólar encostou em R$ 5,30 e o bloqueio temporário no Estreito de Ormuz interrompeu parte do fluxo global de petróleo e gás.

Choque no petróleo e gargalo logístico

Responsável por cerca de 20% do comércio mundial de petróleo e 25% do GNL, Ormuz tornou-se um ponto de tensão que elevou prêmios de seguro, custo de fretes e preços de insumos agrícolas. Segundo Regis Cardoso, chefe de Óleo e Gás da XP Investimentos, a manutenção da interrupção pode levar a cotação do Brent para além de US$ 100.

Ganhos para governo e petroleiras

Cada alta de US$ 10 no barril pode acrescentar R$ 10,7 bilhões à arrecadação federal via royalties e participações especiais, indicam cálculos da XP. Na balança comercial, BTG Pactual e XP projetam incremento de até US$ 8,5 bilhões no superávit de 2026, impulsionado pelas exportações de óleo cru.

Perdas para aviação, transporte e consumidor

O setor aéreo sentiu primeiro: o querosene subiu 9,4% e rotas para o Oriente Médio foram suspensas. No diesel, a defasagem chegou a 41%, enquanto a gasolina acumulou 17%, comprimindo a margem de transportadoras e motoristas de aplicativo. O Ibovespa recuou com a saída de capital estrangeiro, movimento qualificado por Jonathan Araújo, da InvestSmart XP, como busca por ativos mais seguros.

Inflação ganha força e BC revê ritmo de corte de juros

O real desvalorizou de R$ 5,13 para R$ 5,28 em menos de uma semana. Modelos do BTG Pactual sugerem que um Brent a US$ 80 adicionaria 0,6 ponto à inflação de 2026, levando a projeção a 4,7% – acima do teto da meta. Com isso, aumentam as chances de o Banco Central reduzir a Selic em apenas 0,25 ponto percentual ou mesmo manter a taxa.

Agronegócio em alerta máximo

O Brasil importa entre 80% e 85% dos fertilizantes que utiliza. Em 2025, países do Oriente Médio responderam por 35% da ureia, 17% dos fosfatados e 10% do cloreto de potássio comprados pelo país. Para Maria Luisa Franzotti, da Céleres, os nitrogenados serão os primeiros a encarecer. O impacto se expande para o frete rodoviário – pressionado pelo diesel – e, na sequência, para os preços dos alimentos.

Pelo lado da demanda, o Irã tornou-se destino chave para o milho brasileiro: foram mais de 9 milhões de toneladas em 2025. Interrupções nos embarques podem elevar estoques internos e derrubar cotações do cereal, afetando também a produção de proteína animal, já que o Oriente Médio compra 26% do frango e 6% da carne bovina exportados pelo Brasil.

Risco de estagflação se conflito se prolongar

Analistas alertam que, caso a guerra avance por meses, o país pode enfrentar combinação de câmbio depreciado, choque de custos e retração da demanda externa – cenário típico de estagflação. Para o Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), contudo, o Brasil pode se consolidar como fornecedor confiável num ambiente global fragmentado, apoiado na abertura de novas fronteiras de exploração como a Margem Equatorial.

Enquanto o desfecho do conflito segue incerto, a economia brasileira já exibe sinais claros de quem lucra – governo e petroleiras – e de quem arca com a fatura: setor aéreo, produtores rurais e, em última instância, o consumidor final.

Com informações de Gazeta do Povo