Brasília — O Diretório Nacional do Psol rejeitou neste sábado, 7 de março de 2026, a proposta de integrar a Federação Brasil da Esperança, liderada pelo PT do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão foi tomada em reunião virtual do partido.
Com o resultado, o Psol optou por renovar por mais quatro anos a federação já existente com a Rede Sustentabilidade. Apesar do impasse, a legenda não pretende lançar candidatura própria ao Palácio do Planalto e seguirá apoiando a tentativa de reeleição de Lula em outubro.
Corrente defendida por Boulos era favorável à união
A formação de uma frente com o PT era encampada pela “Revolução Solidária”, corrente interna comandada pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, e pela deputada federal Érika Hilton (Psol-SP). Para Boulos, a federação seria um instrumento para “coordenar melhor as forças nas eleições e ampliar a presença parlamentar da esquerda”.
Em artigo publicado antes da votação, a deputada estadual Bella Gonçalves (Psol-MG) citou o “Congresso Inimigo do Povo” — como classificou a maioria conservadora e o Centrão — para defender que a união com o PT fortaleceria a esquerda diante das dificuldades de aprovação de pautas do governo.
Argumentos a favor da federação
Gonçalves afirmou que a federação “não apagaria a identidade do Psol”, mas sim tornaria o partido “mais conectado às necessidades da classe trabalhadora”. Já a deputada estadual Laura Sito (PT-RS) escreveu em texto divulgado pelo PT que a aglutinação de forças era necessária para “conter o avanço do fascismo” e garantir a hegemonia progressista.
Setor contrário invoca autonomia partidária
No lado oposto, lideranças como as deputadas federais Sâmia Bonfim e Luiza Erundina, além de Ivan Valente (todos do Psol-SP), Glauber Braga e Chico Alencar (Psol-RJ), defenderam a manutenção de estruturas separadas. Em artigo conjunto, o grupo argumentou que a existência de duas federações distintas ampliaria a diversidade de vozes e preservaria a independência política do Psol, ainda que o partido componha a coligação que apoiará Lula.
Para esses parlamentares, “há agendas que exigem a força de um grande partido de governo, e há disputas que apenas um partido com a liberdade do Psol consegue impulsionar”.
Com a decisão deste sábado, o Psol segue alinhado à Rede Sustentabilidade e fortalece seu posicionamento autônomo no campo progressista, mantendo, contudo, o compromisso de atuar pela reeleição do presidente da República.
Com informações de Gazeta do Povo