Brasília, 6 de março de 2026 — As apurações brasileiras sobre o Banco Master e a proximidade entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes podem ganhar dimensão internacional, avaliou o advogado norte-americano Martin De Luca, representante da plataforma Rumble e da Trump Media, em entrevista ao programa Sem Rodeios e à coluna Entrelinhas.
Relações financeiras nos Estados Unidos
Segundo De Luca, a expansão do patrimônio de Vorcaro em território norte-americano desperta o interesse de órgãos de controle nos EUA. “Quanto mais nexo o Vorcaro tiver com os Estados Unidos, mais aumenta a probabilidade de isso virar de interesse para as autoridades americanas”, afirmou. O advogado relatou que o empresário realizou a compra de “diversos imóveis e outros ativos”, embora não tenha detalhado valores ou localizações.
Sigilo nas investigações americanas
Ex-promotor em Nova York por seis anos, De Luca lembrou que, no sistema judicial norte-americano, “sigilo é sigilo mesmo”. Ele destacou que investigações só se tornam públicas quando o Ministério Público apresenta denúncias formais, o que pode criar uma “brecha de tempo considerável” entre o surgimento de suspeitas e eventuais ações concretas.
Acesso a dados de FBI, Interpol e PF
O advogado comentou ainda denúncias de que funcionários ligados a Vorcaro teriam acessado informações confidenciais de órgãos como FBI, Interpol e Polícia Federal. Caso confirmadas, essas condutas seriam tratadas “com grande rigor” pelas autoridades dos EUA, disse.
Notificação barrada e a Convenção de Haia
Outro ponto abordado foi o bloqueio, por autoridades brasileiras, de um pedido de notificação judicial ao ministro Alexandre de Moraes feito por um tribunal federal norte-americano em processo envolvendo a Rumble. Para De Luca, a decisão contraria a Convenção de Haia, que estabelece mecanismos de cooperação jurídica internacional. “Nunca tivemos um juiz brasileiro que encaminhou ordens de censura para os Estados Unidos para tentar censurar conteúdo de usuários postado nos Estados Unidos”, declarou.
Mesmo com o veto, o trâmite judicial segue no país norte-americano. A defesa da Rumble solicitou autorização para notificar Moraes por e-mail — “do mesmo jeito que ele notificou a Rumble”, explicou.
Possíveis impactos diplomáticos
De Luca avaliou que o tema pode entrar na pauta de encontros entre autoridades dos dois países, pois envolve empresas de tecnologia dos EUA e discussões sobre liberdade de expressão. Ele citou iniciativas legislativas, como o chamado Granite Act, que buscam proteger plataformas digitais norte-americanas de medidas consideradas censórias adotadas no exterior.
Críticas ao Judiciário brasileiro
O advogado afirmou que decisões recentes do STF contra plataformas digitais podem gerar “custo reputacional” para o Judiciário brasileiro. “Isso talvez atrapalhe a reputação do Judiciário por décadas”, disse.
Bloqueio da Rumble
Durante a entrevista, De Luca também comentou o episódio em que a Rumble voltou a ficar acessível temporariamente a usuários brasileiros, apesar de determinações judiciais de bloqueio. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) sugeriu que a liberação parcial poderia indicar tentativa de burlar decisões judiciais, mas o advogado contestou a explicação técnica apresentada pelo órgão.
De Luca concluiu que o caso evidencia a complexidade de restringir plataformas globais em escala nacional, tanto do ponto de vista técnico quanto jurídico.
Com informações de Gazeta do Povo