Brasília, 28.fev.2026 – A Maridt Participações, empresa associada ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, garantiu o sigilo de seus dados bancários e fiscais após obter, na noite de 27 de fevereiro, liminar concedida pelo ministro Gilmar Mendes.
Como o pedido chegou a Gilmar Mendes
Advogados da Maridt não abriram um novo processo – que seria distribuído por sorteio entre os 11 ministros da Corte. Em vez disso, protocolaram o requerimento dentro de uma ação de 2021 relacionada à extinta CPI da Pandemia, já arquivada. Por ser relator desse processo antigo, Gilmar Mendes assumiu automaticamente a análise do pedido.
Motivação da CPI do Crime Organizado
A comissão do Senado suspeita que a Maridt funcione como empresa de fachada para ocultar patrimônio e lavar dinheiro, apontando Toffoli como possível sócio oculto. Relatório preliminar indica movimentação de R$ 35 milhões, envolvendo um resort de luxo e pagamentos de escritórios de advocacia com causas no STF. O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), afirma que irmãos do ministro atuariam como laranjas.
Fundamentos da decisão
Ao suspender a quebra de sigilo, Gilmar Mendes afirmou que o pedido parlamentar se baseava em “fundamentação genérica” e carecia de provas concretas que ligassem a empresa ao crime organizado. Para o ministro, a medida seria desproporcional, pois daria acesso a fotos, vídeos e conversas pessoais sem relação direta com a investigação.
Dados que permanecerão protegidos
Com a liminar, a CPI fica impedida de obter a movimentação bancária da Maridt desde 2022, inclusive transferências internacionais e saques em espécie. Também permanecem resguardadas as declarações de Imposto de Renda e registros telemáticos de serviços como Google, Apple e Telegram.
Posicionamento de Dias Toffoli
Em nota, o gabinete de Toffoli confirmou que o ministro foi sócio da Maridt, mas ressaltou que sua participação acabou de forma regular e foi declarada à Receita Federal. Ele nega irregularidades, afirma que magistrados podem possuir cotas de empresas desde que não as administrem e diz não manter amizade íntima com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, citado na investigação.
Com a decisão provisória, a CPI do Crime Organizado aguarda análise de eventual recurso para retomar o acesso às informações da empresa.
Com informações de Gazeta do Povo