Brasília – A 2ª Câmara do Tribunal de Contas da União (TCU) deve decidir na manhã desta terça-feira (24) se abre investigação ou arquiva representação do Ministério Público junto ao TCU (MPTCU) que questiona possíveis gastos públicos em festas promovidas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro em Trancoso (BA), conhecidas como “Cine Trancoso”.
Pedido do Ministério Público de Contas
Protocolada em 29 de janeiro, a representação assinada pelo subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado solicita que o tribunal:
- identifique autoridades federais que teriam participado dos eventos;
- verifique eventual uso de verbas públicas para deslocamentos, diárias ou apoio institucional;
- apure possíveis conflitos de interesses envolvendo agentes do sistema financeiro;
- adote medidas cautelares para assegurar provas.
Furtado argumenta que a presença de agentes públicos em encontros privados organizados por um empresário com interesses no mercado financeiro pode afetar a confiança nas instituições, ainda que não haja prova imediata de recursos federais envolvidos.
Parecer técnico sugere arquivamento
Nota preliminar da Secretaria-Geral de Controle Externo do TCU concluiu que não foram encontrados indícios concretos de aplicação de verbas federais, critério que delimita a competência da Corte. O documento recomenda o arquivamento do processo TC 003.212/2026-2.
A decisão caberá ao relator, ministro Jorge Oliveira, e aos demais integrantes da 2ª Câmara.
Detalhes sobre os eventos
Reportagens apontam que Vorcaro alugou, entre 2021 e 2022, e depois adquiriu uma casa avaliada em cerca de R$ 300 milhões em Trancoso. No imóvel teriam ocorrido festas restritas com empresários, agentes do mercado financeiro e autoridades dos Três Poderes. Depoimentos mencionam controle rígido de acesso, proibição de celulares e circuito interno de câmeras; versões negadas pela defesa do ex-banqueiro.
Segundo o MPTCU, também há relatos de encontros semelhantes no Rio de Janeiro, em São Paulo e no exterior, inclusive em Nova York.
Próximos passos
Se o TCU acatar o parecer técnico, o processo será arquivado. Caso decida pela apuração, o tribunal poderá solicitar documentos, convocar testemunhas e adotar medidas cautelares. Paralelamente, congressistas articulam a criação de uma CPMI para investigar o caso do Banco Master e as supostas festas.
Com informações de Gazeta do Povo