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Sequestros, assassinatos e medo: cristãos de Kaduna relatam escalada de violência na Nigéria

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Comunidades cristãs do estado de Kaduna, no centro-norte da Nigéria, continuam vivendo sob forte tensão após uma série de ataques, sequestros e execuções atribuídos a militantes fulani e outros grupos extremistas islâmicos.

O caso mais recente envolve o reverendo Bobbo Paschal, da Paróquia Católica de Santo Estêvão, na vila de Kushe Gugdu, condado de Kagarko. O sacerdote foi libertado em 17 de janeiro depois de permanecer 61 dias em cativeiro, desde seu sequestro em 17 de novembro de 2025, segundo a Arquidiocese Católica de Kaduna.

No dia em que Paschal foi levado, o fiel Gideon Markus foi morto e outros dois cristãos foram raptados e seguem desaparecidos. “Toda a comunidade permanece traumatizada enquanto buscamos uma segurança que não existe mais”, relatou o líder comunitário Innocent Yakubu.

Ataques em série

Moradores afirmam que Kushe Gugdu e povoados vizinhos sofrem investidas recorrentes de pastores fulani. Entre o fim de janeiro e o início de fevereiro, novas ofensivas atingiram as vilas de Aribi, Ungwan Pah, Dogon Daji e Kurmin Lemu, segundo o residente Sunday Audu.

Em Kurmin Wali, 166 cristãos foram sequestrados em 18 de janeiro durante um culto. Todos foram libertados na madrugada de 5 de fevereiro após negociações conduzidas pelo governo estadual, informou o reverendo Joseph Hayab, presidente da Associação Cristã da Nigéria (CAN) no norte do país. As vítimas recebem cuidados em um hospital militar antes de serem entregues às famílias. Hayab ressaltou que nenhum resgate foi pago pelas igrejas.

Preocupação internacional

Os episódios de violência religiosa foram tema de audiência no Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes dos EUA, em 4 de fevereiro. O ex-embaixador itinerante norte-americano para Liberdade Religiosa Internacional, Sam Brownback, classificou a Nigéria como “a linha de frente do terrorismo global” e “o lugar mais perigoso do planeta para ser cristão”.

Ex-presidente da Comissão dos EUA sobre Liberdade Religiosa Internacional, Stephen Schneck afirmou que a liberdade de crença vive “uma crise global”, agravada pela fragilidade das instituições estatais em países como Nigéria, Síria e Sudão.

O presidente do comitê, deputado Chris Smith (Partido Republicano, Nova Jersey), defendeu que Washington mantenha a Nigéria na lista de Países de Preocupação Especial (CPC) e aplique sanções contra autoridades que tolerem violações.

Petição na ONU e números da perseguição

Nos Estados Unidos, o Centro Americano para Direito e Justiça (ACLJ) protocolou uma petição na ONU denunciando “genocídio contra cristãos” na Nigéria. Em 24 horas, o documento já reunia mais de 517 mil assinaturas; a meta é alcançar 750 mil.

Dados da Lista Mundial da Perseguição 2026, da Portas Abertas, apontam que 3.490 dos 4.849 cristãos mortos por motivos religiosos entre 1º de outubro de 2024 e 30 de setembro de 2025 estavam na Nigéria, o equivalente a 72% do total global. O país ocupa o sétimo lugar entre as nações onde é mais difícil professar a fé cristã.

Além dos ataques atribuídos a pastores fulani, atuam na região grupos jihadistas como Boko Haram, Estado Islâmico da Província da África Ocidental (ISWAP) e o recém-identificado Lakurawa, ligado à Al-Qaeda, todos responsáveis por sequestros, execuções e violência sexual.

Enquanto líderes comunitários clamam por proteção, funerais como o realizado em 28 de agosto de 2025, no condado de Kauru, lembram que a insegurança permanece e que o luto faz parte da rotina de milhares de famílias cristãs em Kaduna.

Com informações de Folha Gospel