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Tarifas de Trump caem, mas Casa Branca reage com nova sobretaxa e deixa exportadores brasileiros em alerta

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Exportadores brasileiros passaram por uma montanha-russa nesta sexta-feira (20). Horas depois de a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubar o “tarifaço” imposto pelo presidente Donald Trump, a Casa Branca anunciou uma nova sobretaxa de 10% sobre quase todos os produtos importados. No sábado (21), o percentual subiu para 15%, elevando a incerteza sobre o futuro das vendas brasileiras ao mercado norte-americano.

Medida tem caráter emergencial

A nova alíquota foi editada com base na Seção 122 da Lei Comercial de 1974, que autoriza o Executivo a criar tarifas emergenciais por até 150 dias sem aval imediato do Congresso. A cobrança passa a valer na próxima terça-feira, 24 de fevereiro, e só poderá ser prorrogada além de cinco meses com aprovação legislativa.

Para a economista-chefe da InvestSmart XP, Monica Araújo, a reação presidencial aprofunda a insegurança. “O dia foi marcado por grande reviravolta. A decisão da Suprema Corte e, em seguida, a resposta de Trump ampliam a incerteza jurídica nos EUA”, afirmou.

Outras barreiras seguem vigentes

Mesmo com a queda do tarifaço original, tarifas anteriores contra aço e alumínio permanecem. Essas alíquotas, elevadas logo após a posse de Trump, chegam a 50% e foram justificadas por Washington com argumentos de segurança nacional, citando interferências econômicas e questões políticas no Brasil.

Números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que as exportações brasileiras aos EUA recuaram 6,7% em 2025, totalizando US$ 37,7 bilhões. Ainda assim, o Brasil fechou o ano com recorde de US$ 348,3 bilhões em vendas externas graças à diversificação de destinos.

Setores mais afetados

A retirada do tarifaço aliviou custos imediatos para itens industrializados e do agronegócio, que enfrentavam sobretaxas de até 40%. Segundo o consultor Ismar Becker, produtos de maior valor agregado – como móveis, cerâmica e componentes industriais – sentiram o benefício primeiro. Já café e carne permanecem sob pressão de outras investigações, entre elas processos da Seção 301 e alegações de segurança nacional.

Mercados reagem positivamente

Na sexta-feira, o Ibovespa fechou acima de 190 mil pontos, nova máxima histórica, enquanto o dólar caiu para R$ 5,18. Ações da Embraer e da Taurus Armas, prejudicadas por tarifas de 10% a 50%, lideraram os ganhos. Para Edgar Araújo, diretor-executivo da Azumi Investimentos, a previsibilidade institucional é o principal ganho para exportadores brasileiros.

Disputa por ressarcimento

Com a decisão da Suprema Corte, importadores estudam cobrar do Tesouro norte-americano até US$ 175 bilhões pagos em tarifas consideradas ilegais. A tributarista Mary Elbe Queiroz lembra que apenas empresas com operações diretas ou subsidiárias nos EUA podem buscar devolução. “O ordenamento americano não reconhece prejuízos meramente indiretos”, disse o especialista Luís Garcia, do Tax Group.

Próximos passos diplomáticos

O governo brasileiro aposta em um encontro previsto para março entre o presidente Lula e Donald Trump para negociar a retirada das tarifas restantes, principalmente sobre produtos industrializados. A Frente Parlamentar da Indústria de Máquinas e Equipamentos avalia que, embora uma taxa universal de 10% represente retrocesso ao livre comércio, seria menos prejudicial que sanções punitivas escalonadas.

Até lá, exportadores nacionais seguem acompanhando de perto as idas e vindas da política comercial norte-americana.

Com informações de Gazeta do Povo