São Paulo — A Nestlé deixará de produzir e comercializar sorvetes em todo o mundo até 2027. A decisão faz parte de uma ampla reestruturação global que pretende economizar 3 bilhões de francos suíços e concentrar investimentos em quatro frentes consideradas estratégicas: café, nutrição, alimentos e produtos para animais de estimação.
Venda de ativos para a Froneri
Os negócios de sorvetes da companhia em mercados como Brasil, Canadá e China serão vendidos para a Froneri, sociedade criada em 2016 entre a Nestlé e o fundo de private equity PAI Partners, responsável por marcas como Häagen-Dazs.
Marcas tradicionais deixam as prateleiras
No Brasil, rótulos que marcaram gerações — entre eles La Frutta, Mega e Moça — devem ser descontinuados à medida que a operação for repassada. O cronograma completo será divulgado gradualmente pela empresa.
Pressão financeira motiva ajuste
O movimento de enxugamento segue-se a um recuo de 17% no lucro líquido de 2025, que totalizou 9,03 bilhões de francos suíços. A queda foi atribuída à inflação de custos e a despesas mais altas com marketing.
Recall global agrava cenário
A companhia também lida com um recall internacional de fórmulas infantis contaminadas pela toxina cereulide, incidente que atingiu mais de 60 países. O impacto financeiro inicial é estimado em centenas de milhões de francos suíços apenas no primeiro trimestre de 2026, além de danos reputacionais ainda incalculáveis.
Setor revê modelo de conglomerado
Outras gigantes do consumo, como Unilever e Keurig Dr Pepper, anunciaram recentemente a separação de divisões consideradas menos rentáveis, sinalizando uma revisão do formato de conglomerados multimarcas no setor de alimentos e bebidas.
Apesar das turbulências, a notícia da venda dos sorvetes foi bem recebida na bolsa de Zurique, onde as ações da Nestlé subiram. Analistas ponderam, entretanto, que a confiança de longo prazo dependerá do êxito no cumprimento das metas de economia e na retomada do crescimento após um dos períodos mais desafiadores da história recente da companhia.
Com informações de Gazeta do Povo