Home / Internacional / Congresso dos EUA apura ONGs de esquerda suspeitas de atuar como braço de propaganda da China

Congresso dos EUA apura ONGs de esquerda suspeitas de atuar como braço de propaganda da China

ocrente 1771721385
Spread the love

Washington – Comitês da Câmara dos Representantes e o Departamento de Estado dos Estados Unidos investigam uma série de organizações não governamentais ligadas à esquerda norte-americana que, segundo as autoridades, estariam difundindo mensagens alinhadas ao Partido Comunista Chinês (PCCh) no país.

Relatório oficial alerta para interferência estrangeira

Na semana passada, o Departamento de Estado encaminhou ao Congresso o documento “Combate à Manipulação e Interferência Estrangeira na Informação”. O texto sustenta que Pequim usa diplomatas, meios de comunicação estatais, influenciadores digitais e ONGs para ampliar sua influência política no exterior, inclusive nos EUA.

Entre as entidades citadas estão Code Pink e Peoples Forum. Em publicação na rede X, a pasta afirmou que ambas promoveram mobilizações e conteúdos favoráveis a posições defendidas pela China. A subsecretária de Estado para Diplomacia Pública, Sarah Rogers, declarou ao New York Post que essas ONGs “denegrem os Estados Unidos, branqueiam a violência de regimes marxistas e protegem a China enquanto recebem recursos de doadores ligados ao PCCh”.

Quem são as entidades sob suspeita

Fundada em 2002, a Code Pink se define como feminista e anti-guerra. Conhecida por protestos contra intervenções militares norte-americanas, a ONG lançou nos últimos anos a campanha “A China Não é Nossa Inimiga”, promovendo viagens de integrantes ao país asiático, seminários online sobre a revolução comunista e material elogioso ao governo de Pequim.

Já a Peoples Forum, criada em 2018 e sediada em Nova York, atua como centro de formação política marxista e anti-imperialista. O relatório diz que a entidade apresenta a Revolução Chinesa como modelo e organizou atos recentes em defesa de regimes alinhados a Pequim, inclusive manifestações pró-Nicolás Maduro após sua detenção por forças norte-americanas em janeiro.

Rede Singham é alvo de audiências na Câmara

Paralelamente, dois comitês da Câmara investigam a chamada Rede Singham, suposto conjunto de grupos progressistas financiados pelo empresário norte-americano Neville Roy Singham, residente em Xangai. Segundo depoimentos colhidos em audiência na semana passada, Singham teria destinado pelo menos US$ 100 milhões a essas organizações, usando empresas de fachada e fundos de doação para ocultar a origem dos recursos.

Testemunhas afirmaram que o empresário participou de treinamentos de propaganda do PCCh, compartilhou escritórios com a mídia estatal chinesa e movimentou parte do dinheiro por meio de contas administradas pelo banco Goldman Sachs. Além de Code Pink e Peoples Forum, são apontados como integrantes da rede o Party for Socialism and Liberation (PSL), a ANSWER Coalition, a BreakThrough BT Media (responsável pelo site BreakThrough News) e o Tricontinental: Institute for Social Research.

Possível aplicação da Lei de Agentes Estrangeiros

Parlamentares discutem se as entidades devem se registrar sob a Lei de Registro de Agentes Estrangeiros (FARA), que exige divulgação de fontes de financiamento e atividades políticas executadas em nome de governos estrangeiros. O descumprimento pode gerar sanções civis e responsabilidade criminal.

Antecedentes e novas frentes de propaganda

A estrutura de financiamento ligada a Singham foi detalhada em 2023 pelo New York Times, que relatou o repasse de parte dos US$ 785 milhões obtidos na venda da empresa Thoughtworks a ONGs nos EUA e no exterior. À época, o empresário negou laços com Pequim.

Além das ONGs, a influência chinesa também estaria operando na esfera digital. Em janeiro, a revista Newsweek divulgou levantamento da empresa Graphika identificando 43 domínios e 37 subdomínios que imitavam grandes jornais, como The New York Times e The Guardian, para veicular conteúdo alinhado à mídia estatal chinesa. A operação utilizava perfis falsos em redes sociais, tática conhecida como “spamouflage”, para ampliar o alcance das publicações.

A investigação do Congresso e as apurações do Departamento de Estado continuam sem prazo para conclusão.

Com informações de Gazeta do Povo