O presidente interino do Peru, José María Balcázar, 83 anos, filiado ao partido de esquerda Peru Libre, foi convocado pelo Segundo Juizado Penal Unipessoal de Chiclayo para responder a uma acusação de apropriação indébita em audiência marcada para junho.
Balcázar assumiu a chefia do Executivo na quarta-feira, 18 de fevereiro, após a destituição de José Jerí. A denúncia refere-se ao período de 2019 a 2020, quando ele presidia o Colégio de Advogados de Lambayeque (ICAL). Segundo o Ministério Público, valores arrecadados pela entidade não foram devidamente registrados nem tiveram prestação de contas, e parte dos recursos teria sido transferida para contas pessoais do então dirigente.
A acusação formal foi apresentada em novembro de 2023, com pedido de pena não especificada publicamente e reparação civil estimada em cerca de 770 mil soles (entre US$ 200 mil e US$ 300 mil). Caso o mandatário não compareça à audiência sem justificativa, o tribunal poderá declará-lo réu contumaz, permitindo a continuidade do processo e a emissão de eventual ordem de captura.
Histórico de controvérsias
O novo presidente interino acumula outros episódios polêmicos. Em 2011, foi destituído do cargo de juiz da Suprema Corte pelo Conselho Nacional da Magistratura, que apontou “graves problemas” no exercício de suas funções. Em 2022, foi expulso do Colégio de Advogados de Lambayeque por violações de natureza ética, civil e penal.
Em 2023, durante debate parlamentar sobre a proibição do casamento infantil, Balcázar declarou que “relações sexuais precoces” contribuiriam para o desenvolvimento psicológico futuro da mulher. Organizações de direitos humanos repudiaram a fala, classificando-a como justificativa para violência sexual contra meninas e adolescentes.
Mandato curto até julho
Balcázar permanecerá na Presidência até o fim de julho, quando deverá tomar posse o vencedor da eleição marcada para 12 de abril. Ele é o oitavo presidente peruano desde 2016, reflexo da crise política que se arrasta no país.
Com informações de Gazeta do Povo