Brasília — 20 de fevereiro de 2026. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça assumiu a relatoria do inquérito que apura supostas irregularidades no Banco Master e autorizou a Polícia Federal (PF) a retomar as perícias em cerca de 100 aparelhos eletrônicos apreendidos na investigação.
A troca de relator ocorreu após a saída de Dias Toffoli, citada em relatórios da PF que apontaram diálogos e encontros entre o magistrado e o proprietário do banco, Daniel Vorcaro. A mudança foi articulada internamente para reduzir pressões políticas e preservar a imagem da Corte.
Retomada das análises
Com a nova relatoria, Mendonça liberou os investigadores a seguirem o “fluxo normal” de perícias nos dispositivos, que haviam sido lacrados por determinação de Toffoli e mantidos na Procuradoria-Geral da República. Também caiu a exigência de que todos os depoimentos ocorram exclusivamente na sede do STF.
Autonomia com restrições
Apesar de sinalizar “carta branca” à PF, o ministro manteve sigilo máximo sobre o processo. Qualquer abertura de nova frente investigativa ou a instauração de inquéritos relacionados ao banco dependerá de autorização prévia do gabinete de Mendonça, preservando o controle judicial sobre as etapas da apuração.
Suspeitas bilionárias
O caso envolve a possibilidade de um prejuízo de até R$ 51 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A investigação também cita, de forma indireta, familiares de outros ministros que teriam prestado serviços ao Banco Master, embora esses parentes não sejam alvo do inquérito.
Olhares sobre o STF
Juristas veem a condução de Mendonça como teste para o ministro e para o próprio Supremo, marcado por um histórico de proteção interna entre membros da Corte. Especialistas avaliam que, mesmo com a promessa de maior autonomia à PF, o “espírito de corpo” pode limitar mudanças substanciais na investigação.
Com informações de Gazeta do Povo