Brasília – O presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco), Kleber Cabral, prestou depoimento remoto à Polícia Federal nesta sexta-feira (20), na condição de investigado no inquérito das fake news conduzido pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A oitiva foi determinada na quinta-feira (19) pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, um dia depois de Cabral ter criticado publicamente a operação da PF que atingiu servidores da Receita Federal e do Serpro. Segundo a Unafisco, o dirigente é investigado “apenas pelas declarações concedidas à imprensa” em 18 de fevereiro.
Operação mirou servidores do Fisco
Na terça-feira (17), a PF cumpriu mandados de busca e apreensão contra auditores e analistas suspeitos de vazar dados fiscais de ministros do STF e familiares. Além das buscas, os investigados foram submetidos a tornozeleira eletrônica e afastamento de suas funções.
Em entrevistas no dia seguinte, Cabral classificou as medidas como tentativa de “humilhar, constranger e amedrontar” a categoria. Ele afirmou que, diante do cenário atual, “é menos arriscado fiscalizar membros do PCC do que altas autoridades da República”.
Contrato da esposa de Moraes
O presidente da Unafisco também comentou o contrato de R$ 129 milhões fechado entre o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, e o Banco Master. Para Cabral, o documento não costuma ficar arquivado nos sistemas da Receita e poderia ter “vazado de inúmeros lugares”, como escritórios contábeis ou celulares apreendidos.
Inquérito aberto de ofício
O procedimento sobre suposto vazamento de dados foi instaurado por Moraes em janeiro, sem provocação da Procuradoria-Geral da República ou da Polícia Federal. O artigo 43 do Regimento Interno do STF autoriza a abertura de inquérito de ofício quando a infração penal envolve pessoa sujeita à jurisdição da Corte.
Sigilo e impossibilidade de comentar
Como o inquérito tramita sob sigilo, nem a PF nem Cabral revelaram o teor do depoimento. Em nota, a Unafisco informou que o presidente da entidade “não poderá comentar o conteúdo neste momento”.
O inquérito das fake news investiga suspeitas de divulgação de informações sigilosas de ministros e parentes, além de eventuais conexões com o Banco Master, já alvo de apurações por fraude.
Com informações de Gazeta do Povo