Brasília – Deputados e senadores da oposição endureceram a estratégia para ampliar as apurações sobre o escândalo que envolve o Banco Master, um rombo estimado em até R$ 50 bilhões e a suposta relação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli com o controlador da instituição, Daniel Vorcaro.
Assinaturas para CPMI aguardam leitura de Alcolumbre
Principal aposta do grupo, o requerimento de criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) já soma cerca de 280 assinaturas desde o fim de 2025. A instalação, porém, depende de leitura em sessão conjunta do Congresso pelo presidente Davi Alcolumbre (União-AP).
“Muita gente poderosa quer barrar a abertura da CPMI”, afirmou o deputado Carlos Jordy (PL-RJ). O líder da oposição, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), classificou o número de apoios como “recorde histórico”. Marcel van Hattem (Novo-RS) relatou tentativa de retirada de assinaturas, mas disse que a marca demonstra “preocupação real” com os fatos.
Para o cientista político Elias Tavares, há massa crítica formal, mas a viabilidade política depende do cálculo das presidências da Câmara e do Senado. O analista Rócio Barreto avalia que, sem fissura na base governista ou prova de grande impacto, a CPMI tende a funcionar mais como instrumento de mobilização.
Subcomissão econômica mantém tema ativo
Enquanto a CPMI não sai do papel, o Senado instalou uma subcomissão na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), presidida por Renan Calheiros (MDB-AL), para acompanhar o caso. O colegiado marcou para 23 de fevereiro o depoimento de Vorcaro e pretende ouvir Banco Central, Tribunal de Contas da União e Polícia Federal.
O senador Izalci Lucas (PL-DF) disse que o grupo busca rastrear encontros de Vorcaro com autoridades, inclusive visitas ao Palácio do Planalto fora de agendas oficiais. A subcomissão pode requisitar documentos, aprovar convocações e sugerir quebras de sigilo, ainda que não disponha de todos os poderes de uma CPMI.
Novos pedidos de impeachment contra Toffoli
Com a saída de Toffoli da relatoria do inquérito no STF, o partido Novo protocolou em 12 de fevereiro novo pedido de impeachment no Senado. Em janeiro, os senadores Eduardo Girão (Novo-CE), Magno Malta (PL-ES) e Damares Alves (Republicanos-DF) já haviam apresentado requerimento semelhante, depois aditado com reportagens sobre suposta ligação de familiares do ministro a um resort no Paraná.
Toffoli acumula pelo menos 20 pedidos de impedimento, três deles relativos ao Banco Master. Especialistas lembram que nenhum impeachment de ministro do STF avançou até hoje. Segundo Barreto, os requerimentos funcionam como “demarcação política” e teriam chance apenas se surgirem provas inequívocas, apoio popular expressivo e disposição da Mesa do Senado em pautar o tema.
Convite para esclarecimentos na Câmara
A deputada Carol De Toni (PL-SC) protocolou requerimento para que Toffoli compareça à Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. Por se tratar de convite – não de convocação – o ministro não é obrigado a aceitar.
Pressão sobre PGR e CNJ
Ainda em dezembro, o vice-líder da oposição, Sanderson (PL-RS), pediu ao Conselho Nacional de Justiça abertura de processo disciplinar contra o ministro Alexandre de Moraes após revelação de contrato de R$ 129 milhões entre o Banco Master e a advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do magistrado. Parte das representações da oposição foi arquivada pelo procurador-geral Paulo Gonet por falta de elementos.
Requerimentos de informação ao governo
A bancada do Novo também enviou pedido de esclarecimento à Casa Civil sobre reunião não registrada em agenda oficial entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dirigentes do Banco Master no Palácio do Planalto. A deputada Adriana Ventura (Novo-SP) criticou a “cultura do sigilo” e cobra transparência sobre possíveis conflitos de interesse.
O Banco Master entrou na mira da Polícia Federal em novembro de 2025, na Operação Compliance Zero, que resultou na prisão – e posterior soltura com medidas cautelares – de Daniel Vorcaro. Com a citação de autoridades com foro, parte das investigações foi remetida ao STF, conferindo ao caso dimensão política e institucional.
Com informações de Gazeta do Povo