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Prisão de Andrew agrava crise na monarquia e derruba aliados de Starmer após novos arquivos Epstein

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O ex-príncipe Andrew Mountbatten-Windsor foi detido na manhã de quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026, por suspeita de má conduta em cargo público, logo depois de o Departamento de Justiça dos Estados Unidos publicar milhares de documentos relacionados ao financista condenado Jeffrey Epstein. O ex-membro da família real permaneceu 11 horas sob custódia e foi liberado, mas segue investigado pela polícia britânica.

Repercussão na família real

As novas revelações intensificaram a pressão sobre a Coroa. Vaiado em aparições recentes, o rei Charles III retirou do irmão todos os títulos de nobreza e patentes militares, além de exigir que ele deixe o Royal Lodge, residência nos terrenos do Castelo de Windsor. Em comunicado após a prisão, Charles afirmou receber a notícia com “profundo pesar”, mas destacou que “a lei deve seguir seu curso”.

Rumores reacenderam-se de que a monarquia teria arcado com o acordo firmado em 2022 entre Andrew e Virginia Giuffre, que o acusa de abuso sexual quando era menor de idade. O Palácio de Buckingham nega qualquer participação financeira.

Os relatórios também sugerem que, enquanto enviado comercial do Reino Unido (cargo que ocupou até 2011), Andrew compartilhou informações sigilosas com Epstein. E-mails de 30 de novembro de 2010 mostram o ex-príncipe encaminhando documentos confidenciais sobre viagens oficiais ao Vietnã, Hong Kong, China e Cingapura. A polícia ainda apura a denúncia de que Epstein teria levado uma mulher ao Reino Unido para um encontro sexual com Andrew.

Apesar da perda de títulos e do afastamento da vida pública, Andrew continua na linha de sucessão ao trono; sua exclusão dependeria de aprovação parlamentar.

Os mesmos arquivos indicam ligações financeiras entre Epstein e Sarah Ferguson, ex-duquesa de York. Mensagens de 2009 revelam que ela solicitou 20 mil libras ao financista para cobrir dificuldades empresariais e o descreveu como “o irmão que sempre quis”. Epstein alegou ter ajudado Sarah a quitar dívidas por 15 anos.

Abalo no governo trabalhista

As revelações não atingiram apenas a realeza. No governo do primeiro-ministro trabalhista Keir Starmer, três figuras de alto escalão deixaram seus cargos na última semana: o chefe de gabinete Morgan McSweeney, o secretário de Gabinete e chefe do Serviço Civil Chris Wormald, e o diretor de Comunicação Tim Allan.

A crise ganhou força com a controvérsia em torno da nomeação de Peter Mandelson como embaixador britânico nos Estados Unidos em dezembro de 2024, apesar de seus laços com Epstein. Destituído em setembro de 2025, Mandelson é investigado por supostamente repassar informações de mercado e comunicações internas a Epstein enquanto integrava o governo de Gordon Brown durante a crise financeira de 2008.

Registros bancários divulgados mostram transferências de US$ 75 mil para contas ligadas a Mandelson entre 2003 e 2004, além de um briefing sobre a criação de um imposto sobre bônus de banqueiros enviado por ele a Epstein em 2009. Numa fotografia de 2003, o ex-embaixador aparece de roupão ao lado do financista, a quem chamava de “melhor amigo”.

Starmer reconheceu que conhecia a ligação de Mandelson com Epstein quando o indicou, mas alegou ignorar a extensão do relacionamento. Para tentar blindar o premiê, McSweeney assumiu a responsabilidade pela recomendação e pediu demissão. Pesquisas Ipsos e YouGov de fevereiro apontam desaprovação de aproximadamente 70% ao governo, e parlamentares do próprio Partido Trabalhista ameaçam retirar apoio ao primeiro-ministro.

Enquanto polícia, Parlamento e Palácio de Buckingham avaliam os próximos passos, a combinação de escândalos mantém a monarquia e o governo trabalhista sob forte escrutínio público.

Com informações de Gazeta do Povo