O espancamento que resultou na morte do estudante e ativista nacionalista Quentin Deranque, 23 anos, no fim de semana em Lyon, leste da França, ganhou contornos diplomáticos e agitou o cenário político europeu nesta quarta-feira (18/02). O caso envolve 11 detidos, críticas cruzadas entre o presidente francês, Emmanuel Macron, e a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, além de pedidos de homenagem no Parlamento Europeu.
Investigação e prisões
Segundo o procurador de Lyon, Thierry Dran, Deranque foi derrubado e agredido por pelo menos seis pessoas encapuzadas nas imediações de um evento universitário que contava com a presença da eurodeputada Rima Hassan, do partido de esquerda radical França Insubmissa (LFI). A autópsia confirmou traumatismo craniano; o jovem morreu dois dias após a agressão.
Ao todo, 11 suspeitos foram presos. Sete responderão por homicídio e quatro por facilitar a fuga dos envolvidos. Entre os detidos está Jacques-Elie Favrot, assessor do deputado Raphaël Arnault (LFI). De acordo com seu advogado, Favrot admite ter participado da briga, mas nega ter desferido os golpes fatais.
Repercussão na União Europeia
O grupo Patriots for Europe, que inclui o partido francês Reagrupamento Nacional (RN), solicitou um minuto de silêncio no Parlamento Europeu em memória de Deranque.
Troca de farpas franco-italiana
Nas redes sociais, Giorgia Meloni classificou o crime como “ferida para toda a Europa” e “ataque à democracia”. Durante visita à Índia, Macron rebateu: “Fico sempre impressionado quando nacionalistas comentam assuntos internos de outros países”, disse o presidente, deixando claro que se referia à premiê italiana.
O ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, também condenou o homicídio e afirmou que “crimes dessa natureza não têm fronteiras”.
Posicionamento da esquerda francesa
O líder do LFI, Jean-Luc Mélenchon, negou qualquer responsabilidade do partido e pediu aos simpatizantes que evitem apelos à justiça pelas próprias mãos.
Deranque era figura conhecida em meios nacionalistas franceses, e sua morte eleva a tensão entre grupos políticos às vésperas de debates sobre segurança e extremismo na França e na União Europeia.
Com informações de Gazeta do Povo