Brasília – O Brasil faturou US$ 604,9 milhões em 2025 com a exportação de miudezas bovinas, segundo dados do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac). Os embarques incluem vísceras, tripas e até o pênis do animal, chamado comercialmente de vergalho, item valorizado sobretudo no mercado asiático.
Maior exportador mundial de carne bovina, o país enviou ao exterior 267,3 mil toneladas desses subprodutos no ano passado. Hong Kong concentrou 23,4% das compras, gerando US$ 168,9 milhões em receita para os frigoríficos brasileiros.
Vergalho pode valer até US$ 6 mil por tonelada
O vergalho bovino é exportado in natura, seguindo protocolos sanitários rigorosos. Em Hong Kong, a tonelada atinge cotação de até US$ 6 mil. A SulBeef, indústria de Mato Grosso habilitada a negociar o produto, embarca entre quatro e cinco toneladas por mês, volume considerado estável pelo gerente de marketing Alan Gutierrez.
Em algumas culturas asiáticas, o órgão é consumido cozido ou em ensopados e, na medicina tradicional chinesa, é classificado como afrodisíaco. A textura, que absorve temperos e caldos, também amplia a demanda.
Mato Grosso lidera os embarques
Responsável por 23,1% das exportações nacionais de carne bovina em 2025, Mato Grosso aparece na dianteira também no envio de subprodutos. O diretor de Projetos do Imac, Bruno de Jesus Andrade, destaca que a diversificação de cortes fortalece a cadeia pecuária estadual e reduz riscos comerciais.
Mercado alcança 128 países
Além de Hong Kong, Rússia (26,2 mil t), Egito (31 mil t) e Costa do Marfim (22,3 mil t) figuram entre os principais compradores de miúdos brasileiros. No total, 128 países adquiriram esses itens em 2025. Filipinas, Indonésia, Marrocos, Tanzânia, Sarawak (Malásia), São Vicente e Granadinas e Quênia abriram mercado para as miudezas ao longo do ano.
Os produtos exportados abrangem coração, rins, estômagos, intestinos, língua, bochecha, cérebro, rabo, diafragma, tendões, pâncreas e testículos, além do vergalho. Diversas dessas peças têm baixo consumo interno, mas compõem pratos tradicionais ou são usadas pela indústria alimentícia em países da Ásia, África e América Latina.
Com informações de Gazeta do Povo