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Congresso peruano elege José María Balcázar como presidente interino e surpreende cenário político

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Lima – O Congresso do Peru escolheu, na madrugada de quinta-feira (19.fev.2026), o deputado de esquerda José María Balcázar, 83 anos, como novo presidente interino da República. O parlamentar do Peru Livre recebeu 64 votos, superando a ex-titular do Legislativo María del Carmen Alva, que somou 46.

Balcázar assume como o oitavo chefe de Estado peruano em cerca de dez anos e substitui José Jerí, destituído após pouco mais de quatro meses no cargo por suspeita de tráfico de influência. O mandato provisório termina em 28 de julho, data prevista para a posse do vencedor das eleições gerais marcadas para 12 de abril.

Virada de última hora

A vitória do advogado e ex-juiz surpreendeu porque parte da direita, que inicialmente apoiava Alva, mudou de posição durante a sessão extraordinária. A decisão refletiu cálculos eleitorais de curto prazo e manobras entre legendas conservadoras como o fujimorismo e a bancada Renovação Popular, que agora trocam acusações de terem entregado o Executivo à esquerda.

Controvérsias no currículo

Como magistrado da Suprema Corte, Balcázar chegou a ser punido por prevaricação ao alterar uma sentença definitiva. Posteriormente, foi expulso da ordem dos advogados sob acusação de apropriação de recursos quando ocupava o cargo de decano. No Congresso, ganhou destaque ao presidir a comissão responsável pela escolha de novos juízes do Tribunal Constitucional e, sobretudo, por se opor à proibição do casamento infantil, alegando que relações precoces “ajudam o futuro psicológico da mulher” se não houver violência.

Na véspera da eleição, o agora presidente interino ventilou a possibilidade de conceder indulto ao ex-mandatário Pedro Castillo, condenado a 15 anos de prisão pela tentativa de golpe em 2022.

Primeiros compromissos

Em discurso de posse, Balcázar prometeu “uma transição democrática eleitoral pacífica”, pediu confiança no pleito de abril, assegurou a manutenção da atual política econômica — “não se pode levar o país a ensaios” — e anunciou prioridade para a segurança pública, principal demanda da população.

Ao longo da semana, o novo governante deverá nomear o Conselho de Ministros que o acompanhará até julho. A composição do gabinete é vista como teste para a frágil coalizão que o levou ao poder.

Com informações de Gazeta do Povo