Home / Internacional / Trump adverte Reino Unido e ameaça usar base de Diego Garcia contra o Irã

Trump adverte Reino Unido e ameaça usar base de Diego Garcia contra o Irã

ocrente 1771464902
Spread the love

Washington — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026, na rede Truth Social, que o Reino Unido está “cometendo um grande erro” ao concordar em devolver a soberania do arquipélago de Chagos às Ilhas Maurício, mantendo apenas o direito de uso da base militar de Diego Garcia por 99 anos.

Trump declarou que, caso Teerã não celebre um novo acordo nuclear com Washington, os EUA “poderão precisar de Diego Garcia” para neutralizar “um regime altamente instável e perigoso”. O republicano criticou diretamente o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, e pediu: “Não entreguem Diego Garcia”.

Base vital no Índico

Diego Garcia é a maior ilha do arquipélago de Chagos, situado no centro do Oceano Índico e administrado pelo Reino Unido desde 1965 como Território Britânico do Oceano Índico. Construída durante a Guerra Fria, a instalação militar abriga forças americanas e britânicas e já serviu de plataforma para operações na Guerra do Golfo (1990-1991), nos ataques ao Afeganistão em 2001 e na fase inicial da guerra do Iraque em 2003.

A localização permite projeção sobre o Oriente Médio, o Sul da Ásia e partes da África Oriental, razão pela qual Trump vinculou o futuro da base às negociações nucleares com o Irã.

Disputa histórica de soberania

A posse de Chagos é contestada há décadas. Maurício alega ter sido obrigado a ceder o arquipélago como condição para obter independência em 1968. Entre o fim dos anos 1960 e o início dos anos 1970, milhares de moradores foram removidos de Diego Garcia para viabilizar a construção da base; muitos foram reassentados em Maurício, Seychelles e no Reino Unido.

Em 2019, a Corte Internacional de Justiça considerou ilegal a separação de Chagos das Ilhas Maurício e recomendou que Londres encerrasse sua administração, decisão consultiva que aumentou a pressão internacional sobre o Reino Unido.

Acordo britânico e reação americana

No ano passado, o gabinete de Keir Starmer confirmou um pacto para transferir a soberania do arquipélago a Maurício, mantendo Diego Garcia sob controle militar britânico e norte-americano por quase um século. O Departamento de Estado dos EUA apoiou o entendimento, mas Trump — que já havia chamado a medida de “grande estupidez” em janeiro — voltou a acusar Londres de fraqueza e alertou que a mudança enviaria sinal negativo a potências como China e Rússia.

Trump não explicou quais medidas adotaria se o acordo britânico avançar, mas reiterou que arrendamentos “não são bons quando se trata de países”, sugerindo preferir a manutenção plena da soberania britânica sobre o território.

Até o momento, Downing Street não respondeu publicamente à nova crítica do líder norte-americano.

Com informações de Gazeta do Povo