A Acadêmicos de Niterói foi rebaixada do Grupo Especial para a Série Ouro do Carnaval do Rio de Janeiro na apuração desta quarta-feira (18). Estreante na elite da Sapucaí, a escola somou 264,6 pontos e terminou na última colocação, obtendo apenas duas notas 10 no quesito samba-enredo.
Enredo exaltou trajetória de Lula
Com o tema “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, a agremiação retratou a vida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O chefe do Executivo assistiu ao desfile no camarote da Prefeitura do Rio no domingo (15). A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, chegou a ser anunciada como destaque de um carro alegórico, mas desistiu após ações judiciais que alegavam propaganda eleitoral antecipada.
Contestações judiciais e financiamento público
Antes do Carnaval, partidos de oposição acionaram a Justiça Federal e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o desfile; todas as iniciativas foram rejeitadas. Mesmo após as decisões, o partido Novo informou que pedirá a inelegibilidade de Lula ao TSE.
A Acadêmicos de Niterói recebeu R$ 1 milhão por meio de um acordo de R$ 12 milhões firmado entre o Ministério da Cultura, a Embratur e a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio (Liesa), valor distribuído igualmente às 12 escolas do Grupo Especial.
Repercussão e acusações de perseguição
Logo após a divulgação do resultado, a escola publicou em redes sociais a mensagem: “A arte não é para covardes. Comunidade, vocês foram gigantes. Quanto vale entrar para a história?”.
No dia seguinte ao desfile, a direção da agremiação afirmou ter sofrido “perseguição política” e “ataques de setores conservadores e de gestores do Carnaval carioca”, alegando tentativas de mudança no enredo e questionamentos sobre a letra do samba.
Polêmica com evangélicos e agronegócio
O carro alegórico “Conservadores em Conserva” trouxe integrantes fantasiados como latas e xícaras que, segundo críticos, ridicularizavam a Bíblia, fiéis evangélicos e o agronegócio. Parlamentares de direita reagiram com a campanha #FamíliaEmConserva, publicando fotos de familiares em latas de conserva. O deputado Otoni de Paula (MDB-RJ) classificou o desfile como “ataque deliberado às famílias”.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, rebateu as críticas, chamando a reação de “ridícula” e afirmando que tentativas de desgastar politicamente o presidente por causa das alegorias “não fazem sentido”. Senadores da oposição protocolaram queixa-crime na Procuradoria-Geral da República (PGR) contra a escola, por suposto crime de preconceito equiparado ao racismo.
Com informações de Gazeta do Povo