Mark Zuckerberg, cofundador do Facebook e presidente da Meta, foi convocado a prestar depoimento nesta quarta-feira (19) no Tribunal Superior de Los Angeles, onde ocorre um julgamento considerado histórico sobre o potencial viciante das redes sociais.
É a primeira vez que o executivo enfrenta um júri para responder sobre a arquitetura dos produtos desenvolvidos por suas empresas. O processo foi aberto por uma jovem de 20 anos, identificada pelas iniciais K.G.M., que acusa Instagram e YouTube de terem provocado dependência durante sua infância e adolescência, resultando em depressão, ansiedade, baixa autoestima e pensamentos suicidas.
A ação civil, agora em sua segunda semana, aponta que a usuária começou a frequentar as plataformas antes dos 10 anos de idade. Segundo a acusação, os aplicativos são desenhados para “capturar e reter” a atenção do público, o que teria agravado o quadro de saúde mental da autora.
Além de Zuckerberg, outros executivos de tecnologia deverão depor no caso, que pode estabelecer precedente para cerca de 1,5 mil processos semelhantes movidos contra companhias de mídia social nos Estados Unidos. O julgamento está previsto para durar pelo menos seis semanas.
Meta, controladora do Instagram, e Google, responsável pelo YouTube por meio da holding Alphabet, são as principais rés. Snapchat e TikTok também figuravam entre as empresas processadas, mas fecharam acordos extrajudiciais em janeiro e ficaram fora do banco dos réus.
Se a tese da acusação prosperar, as plataformas podem passar a ser tratadas na Justiça norte-americana de forma comparável a setores como o do tabaco ou dos cassinos, cujos produtos são historicamente associados a vícios e danos à saúde.
Com informações de Gazeta do Povo