Teerã, 17 fev. 2026 – O aiatolá Ali Khamenei advertiu os Estados Unidos a não confiarem no poderio naval deslocado para o Golfo Pérsico, afirmando que “mesmo o exército mais forte do mundo pode receber um golpe tão duro que não consiga se levantar”.
“Um porta-aviões é perigoso, mas mais perigosa é a arma capaz de enviá-lo ao fundo do mar”, declarou o líder supremo iraniano durante discurso a autoridades da província do Azerbaijão Oriental.
Pressão militar e diplomática
As declarações ocorreram paralelamente a uma rodada de conversas de alto nível entre Teerã e Washington, realizada em Genebra com intermediação do sultanato de Omã. O diálogo reúne o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, e, do lado norte-americano, o enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff, e Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump.
Os Estados Unidos reforçaram recentemente sua presença no Oriente Médio. O porta-aviões USS Abraham Lincoln chegou ao Mar Arábico no fim de janeiro, enquanto o maior navio da categoria, o USS Gerald Ford, navega rumo à região após operar próximo à Venezuela.
Programas nuclear e de mísseis
Trump exige que o Irã encerre os programas nuclear e balístico e pare de apoiar grupos armados no Oriente Médio. Khamenei, contudo, reitera que Teerã só aceitará discutir o dossiê nuclear; os mísseis, diz, “não têm relação com os EUA”.
O aiatolá também anunciou a intenção de fechar parcialmente o Estreito de Ormuz, principal corredor marítimo do petróleo da região, gesto que elevou a tensão entre os dois países.
Perspectiva de acordo distante
Em Genebra, iranianos e norte-americanos chegaram a “princípios gerais” para seguir negociando, segundo Araghchi. Ele ponderou, contudo, que “ainda há muito trabalho pela frente” e afastou a possibilidade de um entendimento rápido. Este é o segundo encontro bilateral desde a retomada das negociações nucleares, em 6 de fevereiro, em Mascate (Omã) – o primeiro contato direto após a guerra de 12 dias entre Irã e Israel, em junho do ano passado.
Durante o discurso, Khamenei lembrou que, segundo Trump, “há 47 anos tentam destruir a República Islâmica”. “Você tampouco conseguirá”, concluiu o líder iraniano.
Com informações de Gazeta do Povo