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Brasileiro relata rotina como soldado “solitário” e operador de drones nas Forças de Defesa de Israel

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Jerusalém, 16 de fevereiro de 2026 – Há dois anos e quatro meses no serviço militar israelense, o sargento brasileiro identificado como S. descreveu à reportagem sua experiência como “soldado solitário” na Brigada Givati, unidade conhecida como “raposas do deserto”. Aos 22 anos, ele está a quatro meses de concluir o período obrigatório de dois anos e oito meses, mas já considera permanecer na tropa para treinar novos recrutas no uso de drones.

S. vive em Israel desde os 16 anos, quando deixou o Brasil para cursar o ensino médio em uma escola voltada a estudantes estrangeiros. “Pensei: não tenho nada a perder”, recordou. Após se formar, permaneceu no país, fez um ano de voluntariado em uma instituição infantil e, depois dos ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023, decidiu ingressar nas Forças de Defesa de Israel (FDI) como combatente.

Brasileiros nas FDI

Segundo dados obtidos pelo site britânico Declassified UK via lei de acesso à informação, 596 brasileiros serviam às FDI no ano passado. Parte deles integra o grupo de cerca de 7 mil soldados solitários — militares sem apoio familiar presencial em Israel. Metade dessa categoria é formada por imigrantes; a outra metade, por israelenses natos provenientes de lares desfeitos ou ultraortodoxos contrários ao serviço militar.

O status de soldado solitário, explica S., gera atenção especial de colegas e da sociedade israelense. “Eles sabem que você mora sozinho, que depois de 20 ou 30 dias na base precisa cozinhar, lavar roupa, cuidar de tudo sem a família por perto”, contou.

Especialização em drones

A afinidade com tecnologia levou o brasileiro a especializar-se em veículos aéreos não tripulados. Ele cursou diferentes formações internas e atuou em praticamente toda a Faixa de Gaza operando drones na linha de frente. “É uma experiência da qual nunca vou me arrepender. As amizades que se criam lá são o mais importante”, afirmou.

Tensão diplomática afeta soldados brasileiros

O momento de atrito entre Brasília e Jerusalém pesa sobre os militares brasileiros em Israel. Depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comparar a ofensiva em Gaza ao Holocausto, o premiê Benjamin Netanyahu declarou o líder brasileiro persona non grata. O governo petista retirou o país da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA) e aderiu à ação da África do Sul contra Israel na Corte Internacional de Justiça, ao que Tel Aviv reagiu acusando Lula de antissemitismo e rebaixando as relações diplomáticas.

“Dói ver o meu país se voltar contra Israel”, lamentou S. “Um é o lugar onde nasci; o outro, o que me acolheu.” Segundo ele, israelenses costumam demonstrar admiração quando descobrem que um brasileiro serve como soldado solitário nas FDI.

Planos após o serviço obrigatório

Promovido recentemente a sargento, S. recebeu convites para continuar na Brigada Givati como instrutor de drones. “Gosto muito dessa área. Quero ajudar quem está chegando a aprender como voar e manter os equipamentos”, disse.

Em setembro, o militar completa sete anos de residência em Israel e, mesmo distante da família, considera o país seu lar. “No fim das contas, aqui é muito seguro e a qualidade de vida é boa”, resumiu.

Com informações de Gazeta do Povo