Buenos Aires – A Confederação Geral do Trabalho (CGT), principal central sindical da Argentina, marcou uma greve geral de 24 horas para a próxima quinta-feira, no mesmo dia em que a Câmara dos Deputados deve analisar o projeto de reforma trabalhista apresentado pelo presidente Javier Milei. A paralisação não incluirá atos de rua.
Segundo a CGT, se o debate legislativo for adiado para a semana seguinte, a data da greve será transferida. Caso se confirme, esta será a quarta paralisação nacional desde o início do governo Milei.
Decisão após reunião virtual
O Comitê Diretivo da central aprovou a medida em reunião on-line nesta segunda-feira (16). Na véspera, o secretário-geral Cristian Jerónimo declarara à Radio 10 que “todas as condições” estavam dadas para uma greve geral.
Apoio do setor de transportes
A paralisação terá respaldo dos principais sindicatos de transporte, o que deve provocar interrupção quase total dos serviços de ônibus, trens, caminhões, navegação fluvial e aviação comercial. Confirmaram adesão a Unión Tranviarios Automotor (UTA), a Unión Ferroviaria, La Fraternidad e as entidades reunidas na Confederación Argentina de Trabajadores del Transporte (CATT).
Pressa do governo
Milei busca aprovar a reforma na Câmara e sancioná-la antes de 1.º de março, quando abre o novo período ordinário do Congresso e faz o discurso sobre o Estado da Nação. O texto está sendo discutido em sessões extraordinárias.
Nas redes sociais, o presidente divulgou encontro com a senadora governista Patricia Bullrich, apontada como articuladora da proposta no Senado. “Trabalhando ao lado do presidente Javier Milei para concluir as sessões extraordinárias mais bem-sucedidas da história”, escreveu a parlamentar no X (ex-Twitter).
Sem mobilização de rua
A CGT optou por não convocar manifestações após o protesto da semana passada em frente ao Congresso, que terminou em confronto. Manifestantes lançaram coquetéis molotov e pedras contra as forças de segurança, que responderam com balas de borracha e gás lacrimogêneo; quatro policiais ficaram feridos.
Ajustes no texto
No domingo, o governo anunciou que alterará o artigo da reforma que reduz a remuneração de trabalhadores afastados por doença, atendendo a críticas de opositores e de parte do movimento sindical.
O desfecho da votação definirá se a greve ocorrerá na quinta-feira ou será remarcada para a data em que o projeto voltar ao plenário.
Com informações de Gazeta do Povo