Brasília – O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) informou nesta segunda-feira (16) que ingressará “rapidamente” com representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, realizado no domingo (15) na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro.
Na avaliação do parlamentar, a apresentação que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) configura propaganda eleitoral antecipada e teria utilizado recursos públicos para atacar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus familiares. A principal crítica recaiu sobre a ala que exibiu a alegoria de “famílias em lata de conserva”, criada pela agremiação para ironizar o que chamou de “neoconservadorismo enlatado”.
Reações de aliados e outros parlamentares
Deputados e senadores de oposição repercutiram o episódio nas redes sociais:
- O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) classificou a encenação como “ataque à família conservadora” e disse que a emissora de TV tratou o ato apenas como “crítica”.
- Carol de Toni, que deixou o PL no início do mês, afirmou que o desfile evidencia “que o alvo são as famílias e os valores conservadores”.
- A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) considerou “inadmissível” ridicularizar a fé de milhões de brasileiros e declarou que manifestações culturais não devem servir para atacar crenças religiosas.
- O senador Sergio Moro (União Brasil-PR) apontou “viés político explícito” e comparou a exaltação a Lula a “culto à personalidade”.
Outras iniciativas judiciais
Também nesta segunda, o deputado Filipe Barros (PL-PR) disse que protocolará ação semelhante no TSE. Na quinta-feira passada (12), o tribunal rejeitou por unanimidade um pedido do partido Novo e do deputado Kim Kataguiri (União Brasil-SP) que pretendia impedir o desfile. A relatora, ministra Estella Aranha, argumentou que não cabe censura prévia e que eventuais irregularidades devem ser analisadas posteriormente.
No Tribunal de Contas da União, o Novo tentou bloquear o repasse de R$ 1 milhão da Embratur para a escola, mas o ministro Aroldo Cedraz manteve a liberação dos recursos. A Justiça Federal também rejeitou ações movidas por Damares Alves e Kim Kataguiri contra o presidente em razão do enredo.
Enredo exaltou trajetória de Lula
Intitulado “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, o desfile abordou a infância do petista em Pernambuco, a migração para São Paulo, a atuação sindical no ABC paulista durante a ditadura militar e a chegada ao Palácio do Planalto. A ala das latas de conserva surgiu no setor dedicado aos embates ideológicos contemporâneos, simbolizando, segundo integrantes da Acadêmicos de Niterói, “pensamentos engessados” e “valores conservados no tempo”.
Flávio Bolsonaro não informou a data exata em que protocolará a representação, mas afirmou que o fará “o quanto antes”. O TSE ainda não se manifestou sobre a nova iniciativa.
Com informações de Gazeta do Povo