Bruxelas / Paris – A alta representante da União Europeia para Relações Exteriores, Kaja Kallas, afirmou nesta segunda-feira (16.fev.2026) que o Kremlin “é plenamente responsável” pelo envenenamento que vitimou o oposicionista russo Alexei Navalny há dois anos. Segundo a chefe da diplomacia do bloco, Bruxelas continuará recorrendo ao regime de sanções de direitos humanos para cobrar responsabilidades de Moscou.
“O assassinato de opositores faz parte do DNA do regime. Não é demonstração de força, mas de medo”, declarou Kallas em mensagem divulgada nas redes sociais. Navalny morreu aos 47 anos em fevereiro de 2024, enquanto cumpria pena em uma colônia penal na Sibéria.
Investigação internacional identifica toxina
Um inquérito conduzido por Alemanha, Reino Unido, França, Suécia e Holanda concluiu que o político foi envenenado com epibatidina — substância letal encontrada em sapos venenosos da América do Sul. A análise baseou-se em amostras colhidas logo após a morte de Navalny na prisão ártica russa.
França cobra apuração independente
O governo francês exigiu uma investigação “independente e completa” sobre o caso. O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, tem reunião marcada para esta terça-feira (17.fev) em Paris com Yulia Navalnaya, viúva do líder oposicionista que mantém a agenda política do marido.
Em nota, o Palácio do Eliseu prestou homenagem ao “compromisso de Navalny com uma Rússia livre e democrática” e reiterou apoio a defensores das liberdades civis no país. Paris também lamentou a condenação de três ex-advogados do opositor, classificados como extremistas pela Justiça russa, e pediu a libertação de todos os presos políticos.
Kremlin nega culpa
Moscou rejeitou as acusações de participação no envenenamento e sustenta que Navalny morreu de causas naturais. Diante da toxicidade da epibatidina e dos sintomas relatados, os cinco países europeus que lideraram a investigação consideram o envenenamento a explicação mais plausível para a morte.
O episódio reacendeu a pressão internacional sobre o governo russo e reforçou a disposição da União Europeia em manter ou ampliar sanções já impostas por violações de direitos humanos.
Com informações de Gazeta do Povo