Os chefes das Forças Armadas do Reino Unido e da Alemanha alertaram, em artigo publicado neste domingo (15) no jornal britânico The Guardian, que a Europa deve se preparar para um eventual conflito com a Rússia e acelerar um amplo programa de rearmamento.
Assinado pelo marechal do ar Sir Richard Knighton, chefe do Estado-Maior de Defesa britânico, e pelo general Carsten Breuer, comandante das Forças Armadas alemãs, o texto afirma que a segurança europeia atravessa o momento mais incerto “em décadas” e que Moscou deslocou seu foco militar para o flanco ocidental.
Rússia em transformação
Segundo os autores, a Rússia está se reestruturando após a invasão da Ucrânia, reforçando arsenais e reorganizando tropas de modo que eleva o risco de confronto direto com países da Otan. “Força dissuade agressão; fraqueza a convida”, escreveram Knighton e Breuer, frisando que não há espaço para complacência.
Metas de gastos e indústria de defesa
O artigo recorda que, na cúpula da Otan realizada em Haia no ano passado, os aliados se comprometeram a destinar 5% do Produto Interno Bruto (PIB) à defesa até 2035. Para os chefes militares, a meta reflete a nova realidade estratégica e exigirá escolhas orçamentárias difíceis.
Eles também destacam a necessidade de preparar a indústria europeia para produção sustentada de munições, sistemas e plataformas. A experiência da guerra na Ucrânia, afirmam, mostrou que “bases industriais robustas são decisivas em conflitos prolongados”.
Medidas já em curso
Entre as iniciativas citadas, o Reino Unido está construindo seis fábricas de munição para garantir reposição permanente de estoques, enquanto a Alemanha decidiu estacionar uma brigada de combate de forma permanente no flanco leste da Otan e alterou a Constituição para permitir financiamento praticamente irrestrito à defesa.
No âmbito da União Europeia, a iniciativa Security for the Europe (Safe) prevê o aporte de 150 bilhões de euros para fortalecer a base industrial de defesa do bloco.
Abordagem de toda a sociedade
Os comandantes defendem que a preparação europeia envolva toda a sociedade, englobando infraestrutura resiliente, pesquisa tecnológica avançada e instituições aptas a operar sob ameaças crescentes. “A complexidade das ameaças exige uma conversa honesta com o público”, escreveram.
Ao final, Knighton e Breuer reforçam que unidade europeia é fundamental para a dissuasão: “A história demonstra que a dissuasão falha quando adversários percebem desunião e fraqueza”, concluem.
Com informações de Gazeta do Povo