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Extratos revelam aporte de R$ 35 milhões de fundo ligado a Vorcaro em resort associado à empresa de Dias Toffoli

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São Paulo — Extratos bancários obtidos pelo jornal O Estado de S.Paulo indicam que o fundo de investimentos usado pelo empresário Daniel Vorcaro aplicou R$ 35 milhões no resort de luxo Tayayá, em Ribeirão Claro (PR), empreendimento que tinha participação da Maridt S.A., sociedade da família do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli.

Como ocorreram os repasses

Os documentos mostram dois grandes ciclos de investimentos:

  • 28 de outubro e 3 de novembro de 2021 – aportes de R$ 15 milhões e R$ 5 milhões feitos por Fabiano Zettel no fundo Leal, que imediatamente destinou R$ 14.810.038,35 e R$ 4.936.679,35 ao FIP Arleen;
  • 8 de julho de 2024 – novo aporte de R$ 15 milhões de Zettel no Leal, valor transferido ao Arleen apenas em 10 de fevereiro de 2025 (R$ 14.521.851,17).

Zettel, pastor da Igreja Batista da Lagoinha e cunhado de Vorcaro, era o único cotista do fundo Leal, administrado pela Reag Investimentos. O Leal, por sua vez, detém 100% das cotas do FIP Arleen, veículo usado para comprar a participação da Maridt no resort.

A entrada do FIP Arleen no empreendimento

Em 27 de setembro de 2021, o Arleen tornou-se sócio das empresas Tayayá Administração e DGEP Empreendimentos, adquirindo metade da cota de R$ 6,6 milhões detida pela Maridt. Embora a operação envolvesse R$ 3,3 milhões em capital social, o negócio garantiu ao fundo parte de um ativo avaliado em mais de R$ 200 milhões.

Mensagens indicam pressão por novos pagamentos

Conversas obtidas pela Polícia Federal revelam que, entre maio e agosto de 2024, Vorcaro cobrou do cunhado a efetivação de novos aportes no Tayayá. Nas trocas de mensagens, o empresário reclamou de “situação ruim” diante de cobranças não identificadas e exigiu a liberação de R$ 15 milhões.

Venda da fatia remanescente da Maridt

Em 21 de fevereiro de 2025, a Maridt S.A. vendeu o restante de sua participação nas empresas do resort para a PHB Holding, do advogado Paulo Humberto Barbosa, encerrando a presença societária da família Toffoli no empreendimento.

Posicionamentos

Em nota divulgada em 12 de fevereiro de 2026, Dias Toffoli reconheceu ter recebido dividendos da Maridt, mas negou qualquer pagamento proveniente de Daniel Vorcaro. O ministro assegurou que a participação societária está amparada pela Lei Orgânica da Magistratura, que permite o recebimento de dividendos desde que o magistrado não atue na administração da empresa.

Nem o ministro nem o empresário comentaram os novos extratos. A defesa de Fabiano Zettel informou ao jornal que não se manifestaria.

Na mesma data da nota, Toffoli deixou a relatoria do inquérito conhecido como caso Master no STF, que passou para o ministro André Mendonça.

Com informações de Gazeta do Povo