Teerã – O Irã anunciou neste domingo (15.fev.2026) que delegações iraniana e norte-americana voltarão a se reunir na terça-feira (17.fev) em Genebra, na segunda rodada de negociações sobre o programa nuclear iraniano.
O vice-ministro das Relações Exteriores Majid Takht-Ravanchi disse à BBC que “a bola está no campo dos Estados Unidos” e que, se Washington agir “com sinceridade”, um entendimento é possível. O diplomata reiterou que Teerã não aceita a exigência de “enriquecimento zero” de urânio, mas se dispõe a discutir limites ao programa desde que as sanções norte-americanas entrem na mesa.
Linhas vermelhas
Takht-Ravanchi classificou a suspensão total do enriquecimento de urânio como “linha vermelha” e direito assegurado pelo Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP). Questionado sobre a remoção dos mais de 400 kg de urânio a 60% – patamar próximo aos 90% de uso militar –, o vice-chanceler respondeu que “ainda é cedo” para prever resultados.
Na semana anterior, o chefe da Organização de Energia Atômica do Irã, Mohammad Eslami, admitiu a possibilidade de diluir esse material se todas as sanções forem retiradas.
Mísseis fora da pauta
O representante iraniano descartou incluir o programa de mísseis balísticos nas conversas. “Foram nossos mísseis que nos defenderam quando fomos atacados”, afirmou, referindo-se à guerra de 12 dias travada em junho entre Teerã e Tel Aviv, conflito no qual os Estados Unidos bombardearam instalações nucleares iranianas.
Contexto de tensão
Na sexta-feira (13.fev), o presidente norte-americano Donald Trump declarou que “uma mudança de regime no Irã seria a melhor saída” e informou o envio de um segundo porta-aviões ao Oriente Médio para pressionar Teerã. Apesar da retórica, Trump reiterou preferência por solução diplomática, sem descartar ação militar.
Depois dos bombardeios de junho, iranianos e norte-americanos voltaram à mesa em 6 de fevereiro, em Omã, com mediação de Mascate. Ambas as partes classificaram o encontro como “bom” e agendaram a continuação das conversas em Genebra.
Oferta de ganhos econômicos
O vice-ministro para Diplomacia Econômica, Hamid Ghanbari, afirmou que o acordo pode trazer “benefícios palpáveis” aos Estados Unidos. Segundo ele, as negociações incluem parcerias nos setores de petróleo, gás, mineração e até a possível compra de aeronaves norte-americanas pelo Irã. A liberação de ativos iranianos bloqueados no exterior também integra o pacote, devendo ser “real e utilizável”.
A nova rodada de Genebra deverá concentrar-se no tamanho do estoque de urânio enriquecido, no ritmo de produção e nas condições para suspensão de sanções, enquanto os programas de mísseis e o apoio iraniano a grupos regionais como Hezbollah e Hamas seguem fora do escopo imediato.
As delegações chegarão à Suíça já na segunda-feira (16.fev) para reuniões preparatórias, e a expectativa é de que as conversas se estendam por dois dias, podendo ser prorrogadas.
Com informações de Gazeta do Povo