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Reunião secreta faz STF blindar Toffoli e gera onda de críticas às vésperas do Carnaval

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Uma reunião a portas fechadas realizada na quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026, levou o Supremo Tribunal Federal (STF) a divulgar nota oficial assinada pelos seus dez integrantes para reforçar apoio ao ministro Dias Toffoli e negar qualquer hipótese de suspeição no caso Banco Master. No mesmo encontro, Toffoli deixou a relatoria do processo, que passou para o ministro André Mendonça.

Nota conjunta e troca de relator

No comunicado divulgado logo após o encontro, os magistrados afirmam não existir “caso de cabimento para a arguição de suspeição” contra Toffoli e atestam “a plena validade dos atos praticados” por ele no processo. Para especialistas ouvidos pela reportagem, a manifestação demonstra atuação corporativista da Corte e “falta de pudor institucional”.

A jurista Katia Magalhães, especialista em responsabilidade civil, classificou a iniciativa como “blindagem”. Segundo ela, ao subscrever a nota, Mendonça “fecha a questão” sobre possíveis vínculos patrimoniais ou familiares investigados pela Polícia Federal envolvendo o Banco Master, parentes de Toffoli e o empresário Paulo Vorcaro.

“Se Toffoli não fosse suspeito, deveria permanecer na relatoria; se é suspeito, caberia seu afastamento. A nota contém uma contradição intrínseca”, afirmou Katia.

Repercussão nas redes e entre juristas

Nas redes sociais, o jurista Fabricio Rebelo ironizou que o episódio revela “uma oligarquia autoritária desnudada, autoinvestida em poder absoluto”. O advogado Enio Viterbo chegou a chamar o texto divulgado pelo Tribunal de “nota de falecimento” do STF.

Diálogos vazados ampliam crise

Na sexta-feira, 13 de fevereiro, o site Poder360 publicou supostos trechos da conversa reservada entre os ministros. A divulgação gerou irritação interna e discussões sobre eventual gravação clandestina. Para o jurista Alessandro Chiarottino, o teor dos diálogos sugere um ambiente “pouco republicano, mais preocupado em salvar a face do STF do que em promover justiça”.

Um dos trechos atribuídos ao ministro Flávio Dino limita possíveis suspeições de membros da Corte a casos comprovados de pedofilia ou estupro. Para Katia Magalhães, o vazamento apenas reforça a impressão de que há tolerância com eventuais irregularidades: “A nota oficial é um carimbo de impunidade”, disse.

Falas sobre poder ilimitado

Ex-juiz de Direito, o jurista Adriano Soares da Costa declarou em publicação na plataforma X que a falta de limites ao STF virou “passe livre para toda sorte de aventuras abusivas”, recordando que inquéritos conduzidos pelo ministro Alexandre de Moraes já haviam sido criticados anteriormente.

Ainda sem data para novo julgamento, o processo do Banco Master seguirá agora sob relatoria de André Mendonça. A transferência ocorre enquanto o Congresso analisa pedidos de convocação de Toffoli para explicar seu eventual envolvimento no caso, mas a votação ficou para depois do feriado de Carnaval.

Com informações de Gazeta do Povo