Brasília, 14 fev. 2026 – Reino Unido, Suécia, França, Alemanha e Holanda divulgaram nesta sexta-feira (14) um comunicado conjunto afirmando que Alexey Navalny morreu após ser exposto à epibatidina, potente toxina presente em sapos venenosos da América do Sul.
De acordo com os governos, análises de amostras biológicas do oposicionista russo confirmaram “de forma conclusiva” a presença da substância, cerca de 200 vezes mais forte que a morfina. Navalny, 47 anos, faleceu em fevereiro de 2024 enquanto cumpria pena em uma colônia penal na Sibéria.
“Meios, motivo e oportunidade”
No texto, os cinco países sustentam que Moscou dispunha dos recursos, do interesse político e das condições necessárias para administrar o veneno. Eles acusam a Rússia de desrespeitar a Convenção sobre Armas Químicas e alertam para a possibilidade de o governo não ter destruído todo o seu arsenal químico.
Precedente com novichok
Os mesmos países já haviam responsabilizado o Kremlin pelo uso do agente nervoso novichok contra Navalny em 2020 e, dois anos antes, contra o ex-espião Sergei Skripal em Salisbury, no Reino Unido. “Em ambos os casos, apenas o Estado russo tinha os meios e o desprezo pelo direito internacional para realizar tais ataques”, diz o comunicado.
Ação diplomática
Representantes permanentes dos cinco governos informaram o diretor-geral da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) sobre o que classificam como nova violação russa. Eles prometeram usar “todos os instrumentos políticos” para exigir responsabilização.
Declarações em Munique
A viúva de Navalny, Yulia Navalnaya, anunciou as descobertas durante entrevista coletiva paralela à Conferência de Segurança de Munique. Ao lado dela, a ministra britânica das Relações Exteriores, Yvette Cooper, afirmou que “somente o governo russo” poderia ter aplicado a toxina e chamou o caso de “conspiração bárbara do Kremlin”.
Até o momento, não há informações sobre a forma como o veneno teria sido administrado a Navalny.
Com informações de Gazeta do Povo