Trechos de uma conversa reservada entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), realizada na quinta-feira (12), vieram a público e desencadearam suspeitas de que o encontro tenha sido gravado sem autorização. O site Poder360 publicou falas completas atribuídas aos magistrados, o que levou integrantes da Corte a cogitar que o ministro Dias Toffoli pudesse ter registrado a reunião – hipótese negada por ele à Folha de S.Paulo.
O encontro tratou da permanência de Toffoli na relatoria do inquérito que investiga o Banco Master. Segundo as informações divulgadas, o placar interno era de 8 votos a 2 pela manutenção do ministro, mas ele aceitou deixar o caso após a proposta do colega Flávio Dino de divulgar uma nota de apoio unânime em seu favor.
Falas atribuídas aos ministros
Entre os trechos replicados pelo Poder360, o ministro Gilmar Mendes teria dito que a Polícia Federal (PF) quis “revidar” decisões de Toffoli no processo. Já Cármen Lúcia teria afirmado que “todo taxista” com quem conversa critica o Supremo e que era preciso “pensar na institucionalidade”.
Outras declarações citadas incluem Luiz Fux, que teria assegurado ter “fé pública” em Toffoli, e o próprio Dino, que chamou as cerca de 200 páginas de provas da PF de “lixo jurídico”. As falas, em sua maioria favoráveis ao ministro afastado da relatoria, reforçaram entre os colegas a hipótese de uma gravação realizada pelo próprio Toffoli, o que ele negou “vigorosamente”.
Redistribuição do processo
Com a saída de Toffoli, o inquérito do Banco Master foi redistribuído por sorteio e ficou sob a responsabilidade do ministro André Mendonça. A solução, defendida por Dino como forma de preservar a imagem institucional do tribunal, evitou que o tema fosse levado a votação em plenário, marcada inicialmente para sexta-feira (13).
Questionado pela Folha de S.Paulo, Toffoli negou qualquer gravação e sugeriu que um funcionário da área de informática pudesse ser responsável pelo vazamento. Até o momento, o STF não se pronunciou oficialmente sobre a origem dos áudios nem sobre eventuais medidas internas.
Com informações de Gazeta do Povo